Às Voltas com a Velha Guarda

Às Voltas com a Velha Guarda

O filme The Old Guard – baixo orçamento e um possível tubo de ensaio?

Estava eu em casa uma bela noite a tentar pesquisar o que ia ver novo na Netflix, pois já tinha consumido a última temporada de Atack on Titan, quando de repente aparece uma imagem do top 10 da semana e o primeiro destaque que saltou à vista foi uma personagem feminina, com um machado de uma forma invulgar e o título The Old Guard. “Hum…”, pensei para mim mesmo, “pode ser interessante”.

A atriz (Charlize Theron) já me dizia algo, ora não fosse a heroína do novo Mad Max, que é qualquer coisa.

O ator Chiwetel Ejiofor não me era estranho, pois já o havia visto em Serenity, e, onde ganhou mais destaque, 12 Anos Escravo (recomendo a todos).

Falta o vilão, que me fez perguntar para mim mesmo ”já vi este ator, mas em que filme?”. É verdade, o senhor Harry Melling cresceu e muito emagreceu (obrigado iMDB); espero que a sua carreira profissional seja próspera, pois do pequeno e mauzinho Dudley, de Harry Potter, a um jovem ambicioso e sem escrúpulos, dono de uma gigante farmacêutica, foi um caminho bem trabalhado. Pena que em algumas cenas não tenha ficado bem.

Eu pessoalmente, seja a ver um filme ou a ler um livro de BD, gosto de sentir que estou “lá dentro”, sabe-me a pouco estar “à janela”. Old Guard, embora em alguns poucos momentos nos convide a entrar, em grande parte, coloca-nos do lado de fora, a ver a ação desenrolar-se e, neste caso, tenho de confessar, não li os livros, vi o filme! Mas Leandro Fernández e Greg Rucka já têm cartas dadas, e a ideia com que fiquei é que foi uma experiência que correu bem, e vão melhorar. A história está bem conseguida e os temas abordados, como a falta de privacidade e, sobretudo, as grandes companhias fazerem de tudo para conseguirem a vanguarda e o lucro rápido distorcendo valores e induzindo-nos a uma falsa sensação de segurança, estão coerentes.

A história começa quando a nossa heroína Andromache (Charlize Theron) percebe que o seu segredo (uma capacidade de regeneração e ressurreição incomum), assim como do pequeno grupo que lidera, está a ser descoberto por, pensam eles, um agente da CIA – Copley (Chiwetel Ejiofor) – desconhecendo que, na realidade, estão a ser perseguidos pelo seu poder regenerativo para servirem como cobaias humanas vitalícias numa gigante farmacêutica.

Vale a preciosa ajuda de Nile (KiKi Layne), uma militar recém “imortal”, nova no grupo e ainda a tentar lidar com todo o seu novo universo, que não só os salva, como também, com a ajuda de um Copley agora arrependido, lhes demonstra todo o bem que eles não conseguiam perceber que estavam a fazer ao longo dos séculos, permitindo que se explore todo um novo caminho, e claro, novo filme.

Se gostei? Sim. Se acho que falta algo? Sim, mas acredito que se tivessem um maior orçamento muita coisa tinha corrido melhor. Como acima referi, defendo a ideia de tubo de ensaio, no qual foram vistos erros que de certeza vão ser corrigidos por todos. Recomendo a quem não viu que o veja. Eu vou esperar pela segunda parte e tentar ler os livros… Haja orçamento…

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