Heróis Estrangeiros de Visita a Portugal.

E se o Colossus andasse em pleno centro histórico de Lisboa? Ou o Demolidor subisse às ameias do Castelo dos Mouros? O Batman mergulhasse com o Aquaman no Tejo? O Hellboy deambulasse por Tavira? Ou o Michel Vaillant acelerasse pelas curvas da Serra de Sintra?

Pois é! Estes e outros heróis de banda desenhada já andaram por terras lusas. Alguns até repetiram a proeza. Andam por cá desde a década de 1940 e continuam a visitar-nos no novo milénio.

São algumas dessas aventuras que passarei a apresentar de modo breve, sem carácter exaustivo, apenas contextualizando os argumentos – pois aqui o que interessa não é a história em si, mas o que leva o herói a Portugal.

De parte, propositadamente, deixei aquelas histórias da DC ou da Timely Comics (a futura Marvel) escritas e passadas durante a Segunda Guerra Mundial, não por não terem interesse, mas porque os protagonistas não são comummente conhecidos.

Os heróis são aqui apresentados por ordem alfabética (com excepção do Demolidor e do Hellboy cujas aventuras, para mim, são as melhor conseguidas) e com uma pequena ficha técnica de cada álbum ou comic book.

Por fim, e não totalmente fora do contexto, recordarei dois personagens lusos que têm os seus momentos de protagonismo em séries franco-belgas de primeira linha.

Vamos aos livros!

DEMOLIDOR (DAREDEVIL)

Daredevil, Volume 2 #90
Título: “The Devil Takes a Ride, Part Two of Five”
Argumentista: Ed Brubaker
Desenhador: Michael Lark
Arte-Finalista: Stefano Gaudiano
Colorista: Matt Hollingsworth
Capa: Lee Bermejo
Editora: Marvel
Publicado em dezembro de 2006

Matt Murdock (o Demolidor) deixa Nova Iorque e viaja até à Europa em perseguição do advogado que julga ter morto o seu amigo e colega Foggy Nelson.

A primeira paragem que faz é em Lisboa, mais especificamente, em Sintra, onde acabará por defrontar o vilão Tombstone que, aparentemente, capturou a sua namorada Lilly Lucca.

Quanto a mim, esta história está particularmente bem conseguida pois a reconstituição dos locais é fidelíssima e até o microclima da Serra de Sintra é retratado com exatidão, como podemos ver na cena de luta entre o Demolidor e Tombstone onde, depois de um belo pôr-do-sol, chove copiosamente.

Vejamos agora uma ou outra reconstituição com algum detalhe.

Matt Murdock chega à estação de Sintra.

Vê-se que o trabalho de desenho foi bem documentado. Nem o sinal de trânsito falta. Ao cimo, na Serra, pode ver-se o Castelo dos Mouros.

Pela folhagem das árvores, é fácil presumir que a cena retratada se passa na Primavera.

O único erro cometido é com a direcção tomada por Murdock. Sendo que a cena seguinte se passa na Vila de Sintra, ele devia seguir na direcção oposta (detalhes!).

Nesta cena, tudo está bem. Até o quiosque ao fundo e a sinalética.

A liberdade estilística está na esplanada colocada no terreiro do paço do Palácio Nacional de Sintra. É que nunca ali houve cafés ou esplanadas. Elas existem sim, mas à direita da imagem, fora do ângulo de visão.

Por fim, o Castelo dos Mouros, onde até o número de merlões e de ameias está correcto. Assim como as duas linhas de horizonte.

O único erro é o facto de Matt Murdock estar desproporcionado em relação à torre.

A cena de luta entre o Demolidor e Tombstone passa-se ao ar livre. No entanto, o edifício investigado pelo herói, e à saída do qual o espera o vilão, é o Palácio Valenças, como se pode ver na foto que se segue e na primeira vinheta da terceira prancha acima apresentada.

HELLBOY

Hellboy (Volume 1) #36
Título: “In the Chapel of Moloch”
Argumentista: Mike Mignola
Desenhador: Mike Mignola
Arte-Finalista: Mike Mignola
Colorista: Dave Stewart
Capa: Mike Mignola
Editora: Dark Horse
Publicado em outubro de 2008

Hellboy viaja para Portugal e o destino escolhido é Tavira em 1992, onde se passa toda a acção da história.

Em representação do B.P.R.D. (Bureau for Paranormal Research and Defense), Hellboy vai a Tavira encontrar-se com um marchand preocupado com o estranho comportamento do seu amigo pintor, Jerry, que passa as noites fechado à luz de velas numa velha capela.

Como quem conhece Tavira pode constatar logo na primeira vinheta, a representação nada tem a ver com a cidade algarvia, moderna e cosmopolita.

De qualquer modo, o ambiente criado é o necessário ao desenvolvimento da trama, que se quer taciturna, sombria e misteriosa.

Curiosamente, vê-se que Mike Mignola teve o cuidado de investigar as capelas de Tavira para criar a “sua” capela de Moloch.

Como se pode ver pela primeira vinheta da segunda página e pela foto acima, a fonte de inspiração foi a Capela ou Ermida de S. Sebastião em Tavira.

In the Chapel of Moloch marcou o regresso de Mike Mignola ao desenho de Hellboy após três anos de interregno.

No seu melhor, o seu estilo “linha clara” brinca brilhantemente com as sombras. E o que parece um traço simples resulta numa composição de ambiências complexas e detalhadas – como se pode ver de imediato na representação de Tavira na primeira página -, coadjuvadas pela inteligente e contida aplicação da cor por parte de Dave Stewart.

Em 2008, a história ganhou o Rondo Hatton Classic Horror Award – considerado o Óscar do Terror – na categoria de Melhor Banda Desenhada de Terror.

Até à data, nunca foi publicada em Portugal.

ACTION COMICS

Action Comics (Volume 1) #37-#38
Título: “The Lost City of Atlantis” e “The Treacherous Ministers of Atlantis”
Escritor: Gardner Fox
Desenhador: Chad Grothkopf
Arte-Finalista: Chad Grothkopf
Capa: Fred Ray
Editora: DC
Publicados em junho e julho de 1941

Desenganem-se aqueles que, pelas capas, julgam ir assistir à vinda do Super-Homem a Portugal.

Naquele tempo, a Action Comics tinha 68 páginas e aventuras de variadíssimos heróis, sendo que apenas um era “super”.

Nesta história, os protagonistas são os “Three Aces” (Três Ases), Bill, Fog e Will, aviadores de excelência.

Ao receberem uma mensagem de Ingrid Svenson (personagem de uma história anterior), os três encontram-se com ela nos Açores. Ingrid conta-lhes que encontrou a cidade perdida da Atlântida quando explorava a região e caiu num buraco. As cavernas que encontrou são tão grandes que até dá para pilotar aviões lá dentro.

A aventura prossegue com os Três Ases a descobrirem a Atlântida e o seu povo evoluído.

A ilha do arquipélago dos Açores nunca é especificada e, em termos de desenho, ninguém se deu ao trabalho de pesquisar.

Contudo, não deixa de ser curioso escolherem os Três Ases para irem parar aos Açores. Três anos depois, em janeiro de 1944, os americanos penduravam-se nos britânicos para começarem a utilizar aquela que viria a ser a Base das Lajes

AQUAMAN

Aquaman (Volume 1) #59
Título: “Prey Perilous”
Argumentista: David Michelinie
Desenhador: Jim Aparo
Arte-Finalista: Jim Aparo
Capa: Jim Aparo
Editora: DC
Publicado em janeiro de 1978

Aquaman (Volume 1) #60
Título: “Scavenger, Ravenger, Plunderer, Thief!”
Argumenista: David Michelinie
Desenhador: Don Newton
Arte-Finalista: John Celardo
Colorista: Jerry Serpe
Capa: Jim Aparo
Editora: DC
Publicado em março de 1978

Aquaman (Volume 1) #61
Título: “The Armageddon Conspiracy”
Argumentista: David Michelinie
Desenhador: Don Newton
Arte-Finalista: Bob McLeod
Colorista: Adrienne Roy
Capa: Jim Aparo
Editora: DC
Publicado em maio de 1978

Em Aquaman #59 e #60, assistimos ao herói a ser alvo de ataques dos vilões Fisherman e Scavenger que, na verdade, são paus-mandados do Kobra. Este quer afirmar-se perante o mundo, destruindo Lisboa e mesmo Portugal inteiro.

Paralelamente, vamos assistindo ao Kobra a torturar diplomatas portugueses e, aos poucos, a revelar os seus planos diabólicos.

Em Aquaman #61, temos o fecho da história.

A acção começa no “romântico porto de Lisboa”, onde Batman e Aquaman mergulham no Tejo para enfrentarem os homens do Kobra.

Depois de se teleportarem para o satélite da Liga da Justiça, regressam a Lisboa, agora na companhia do Lanterna Verde. Eles sabem que é na cidade que se encontra o quartel-general do Kobra. Lá chegados vão tentar impedir que o vilão lance um gás letal por todo o país com o objectivo de mostrar ao mundo que ele é alguém a ter-se em conta.

CABLE AND X-FORCE

Cable and X-Force (Volume 1) #13
Título: “Collapse”
Argumentistas: Dennis Hallum e Cullen Bunn
Desenhador: Salvador Larroca
Arte-Finalista: Gerardo Sandoval
Colorista: Frank D’Armata
Capa: Salvador Larroca e Frank D’Armata
Editora: Marvel
Publicado em outubro de 2013

Na sequência de histórias anteriores, a tensão cresce entre a X-Force e os Vingadores.

As visões precognitivas de Cable aumentam descontroladamente e cabe à X-Force o papel de impedir que cada visão se torne numa terrível realidade.

Neste contexto, a X-Force vem parar ao centro histórico de Lisboa onde enfrenta um verme gigantesco.

Só usando a sua força bruta é que Colossus consegue derrotá-lo.

Como se pode ver pela foto que se segue, houve cuidado por parte do desenhador Salvador Larroca na representação da cidade.

Pergunto-me é como terá ficado a zona do Panteão Nacional depois deste combate…!?

CAPITÃO AMÉRICA

Captain America (Volume 1) #2
Título: “Trapped in the Nazi Stronghold”
Argumentistas: Joe Simon e Jack Kirby
Desenhadores: Joe Simon e Jack Kirby
Arte-Finalista: Joe Simon
Capa: Joe Simon
Editora: Timely Comics (futura Marvel)
Publicado em abril de 1941

A passagem do Capitão América por Lisboa deve ter sido dos momentos mais embaraçosos da sua existência de quase 80 anos de aventuras.

Steve Rogers (o Capitão América) e Bucky seguem no encalço de um milionário americano raptado pelos nazis.

Desconfiando que o levam para a Europa, abandonam furtivamente o Camp Lehigh e apanham um avião disfarçados de mulher e criancinha, respectivamente.

Depois de algumas peripécias, chegam a Lisboa onde apanham um comboio com destino a França e Alemanha.

Ou seja, a passagem do Capitão América por terras de Viriato não só é curtíssima como o apanha encarnando uma matrona.

Se os comics hoje em dia fossem assim, não lhes augurava grande futuro.

CAPITÃO BRITÂNIA

Captain Britain (Volume 1) #7
Título: “Wind of Death”
Argumentista: Chris Claremont
Desenhador: Herb Trimpe
Arte-Finalista: Fred Kida
Colorista: Marie Severin
Capa: Herb Trimpe e Fred Kida
Editora: Marvel
Publicado em novembro de 1976

Ao mesmo tempo que assistimos à batalha final entre o Capitão Britânia e o Hurricane, a origem deste último é finalmente revelada.

Albert Potter, o meteorologista louco, tornou-se no super-vilão Hurricane após uma experiência falhada ao largo dos Açores.

E dos Açores só vemos a ponta de uma ilha (qual?) e um céu plúmbeo.

De qualquer modo, já podemos dizer que há um super-vilão que tem a sua origem secreta em Portugal.

DAMPYR

Colecção Bonelli vol. 2: Dampyr – Aventuras em Portugal

Título da primeira história: “O Esposo da Vampira”
Argumentista: Mauro Boselli
Desenhador: Alessandro Bocci

Título da segunda história: “Tributo de Sangue”
Argumentista: Giovanni Eccher
Desenhador: Maurizio Dotti

Editora: Levoir/Público
Publicado em 19 de abril de 2018

Dampyr tem como protagonista Harlan Draka, filho de pai vampiro e de mãe humana, o que lhe confere um sangue que tem propriedades mortais para os vampiros, de quem se torna inimigo. Os seus companheiros habituais nesta luta eterna são Kurjak (ex-militar) e Tesla (uma vampira).

Na primeira história, Draka e Kurjak vão até Trás-os-Montes atrás de um inimigo que dizem habitar o castelo de Monforte da Estrela, perto da povoação de Riba Preta, ambas criações de ficção.

Contudo, percebe-se pelo ambiente e pelo realismo das localidades que os autores investigaram ou visitaram Trás-os-Montes.

Na segunda história, Maud, turista a viajar pelo norte de Portugal, tem uma estranha experiência com um fantasma que parece querer comunicar com ela durante uma visita a uma cave de vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia.

Aterrorizada, chama Draka para investigar o fenómeno e os dois acabam por ir parar a Miranda do Douro para um confronto final.

A investigação e o cuidado com os pormenores dão à história um realismo reconhecível por qualquer português.

Desde logo, a representação viva das caves, da zona ribeirinha, do eléctrico para o Infante (que aparece logo na capa), da ponte Luiz I, de Miranda do Douro e de toda a zona vinhateira.

E, neste caso, também as questões históricas ou locais, como a perseguição aos judeus por parte da Inquisição no século XVI ou o dialecto mirandês, ajudam a essa autenticidade.

Existe ainda um segundo livro de Dampyr editado em Portugal com aventuras no nosso país.

Colecção Aleph vol. 4: Dampyr – O Suicídio de Aleister Crowley

Argumentista: Mauro Boselli
Desenhador: Michele Cropera
Capa: Enea Riboldi
Editora: A Seita
Publicado em 11 de outubro de 2019

Nesta terceira aventura de Harlan Draka em Portugal, o protagonismo é dos seus dois companheiros habituais. Os três viajam até Lisboa para investigarem o aparente suicídio de Aleister Crowley, décadas atrás, em Cascais, mais precisamente na Boca do Inferno.

Alternando entre presente e passado, a história tem como personagem de destaque Fernando Pessoa, amigo do ocultista Crowley.

Em termos históricos, é de importância o terramoto de Lisboa de 1755 e a ligação de Fernando Pessoa com Ofélia.

As ambiências do fado, as ruelas de Lisboa e a monumentalidade de algumas zonas da cidade, passando pelo Poço Iniciático da Quinta da Regaleira em Sintra e que aparece logo na capa, tudo contribui para mais uma obra realista – na reconstituição dos locais – e bem conseguida.

DEATHSTROKE

Deathstroke the Terminator (Volume 1) #2
Título: “Full Cycle – Chapter Two: Kidnapped”
Argumentista: Marv Wolfman
Desenhador: Steve Erwin
Arte-Finalista: Will Blyberg
Colorista: Tom McCraw
Capa: Mike Zeck
Editora: DC
Publicado em setembro de 1991

Deathstroke é um vilão da DC transversal a vários heróis, mas com particulares implicações com os Novos Titãs. Ao longo dos tempos vai mudando a sua posição quanto à criminalidade.

Nesta história, ele vem a Portugal com o intuito de salvar o filho de uma mulher que tinha salvo de uma tentativa de assassinato.

O momento alto no nosso país é uma perseguição de carro ao longo de umas quantas páginas pelas ruas de Lisboa.

Chamo a vossa atenção para o cliché que é a representação das ruas de Lisboa e dos personagens que as povoam, com mulheres de avental e homens de chapéu, algo que se via seguramente 30 anos antes da história ter sido desenhada. Da mesma época são as fardas dos agentes da autoridade, a quem só falta o característico chapéu dos antigos polícias sinaleiros.

DEMON KNIGHTS

Demon Knights (Volume 1) #16
Título: “The Gathering Storm”
Argumentosta: Robert Venditti
Desenhador: Bernard Chang
Arte-Finalista: Bernard Chang
Colorista: Marcelo Maiolo
Capa: Bernard Chang
Editora: DC
Publicado em março de 2013

Esta é uma série ambientada na particular Idade Média do Universo DC e que tem como protagonistas um grupo de heróis improváveis que incluem o demónio Etrigan, Madame Xanadu, o Shining Knight e outros.

Nesta história, estamos em 1043 e a Lusitânia, “o território mais ocidental da Europa”, ainda existe.

Na cena a que este artigo diz respeito, vamos ver ao longo de cinco páginas a perseguição e captura da Horsewoman por parte de um bando de mercenários.

DISNEY EDIÇÃO ESPECIAL

Disney Edição Especial: Euro 2004
Título: “O Roubo da Taça do Euro”
Argumentista: Paulo Ferreira
Desenhadores: Comicup Studio
Editora: Edimpresa
Publicado em 2004

A revista em si contém várias histórias sobre a temática do futebol. Mas “O Roubo da Taça do Euro” tem particular interesse pois é a única banda desenhada da Disney escrita por um português.

O Tio Patinhas e os seus sobrinhos Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho, com a ajuda do Prof. Pardal, vêm a Portugal investigar mais um crime mirabolante perpetrado pelos infames Irmãos Metralha.

Ao longo da aventura, vão andar por Guimarães, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa e Faro.

FLASH

The Flash (Volume 2) #29
Título: “Casablanca Nights”
Argumentista: Len Strazewski
Desenhador: Grant Miehm
Arte-Finalista: Paul Fricke
Colorista: Carl Gafford
Capa: Grant Miehm e Paul Friecke
Editora: DC
Publicado em agosto de 1989

O protagonista desta história é Wally West, a terceira incarnação do super-herói Flash.

O papel de Portugal resume-se a uma página, em cena de interior e, quanto a mim, é particularmente infeliz.

Wally West acorda entediado e resolve teleportar-se para Paris. Mas algo corre mal e vem parar a Lisboa. Decepcionado, pergunta ao homem que esbarra com ele se lhe pode recomendar algum sítio onde ir (Lisboa não serve!). O homem indica-lhe Casablanca que, como todos sabemos, é uma cidadezinha pacata que fica mesmo ao lado de Lisboa e que está sempre na ponta da língua dos alfacinhas.

GRAYSON

Grayson (Volume 1) #16
Título: “Code Word: Swordfish”
Argumentistas: Tim Seeley e Tom King
Desenhador: Mike Janin
Arte-Finalista: Mike Janin
Colorista: Jeromy Cox
Capa: Mikel Janin
Editora: DC
Publicado em março de 2016

Esta história tem como personagem central o Agente 37, que responde pelo nome de Grayson, Dick Grayson. Esse mesmo…! O primeiro Robin.

O Agente 37 e o Agente 1 perseguem e tiram de circulação vários agentes da Spyral à volta do globo.

E um dos locais onde exibem a sua estamina é num cais manhoso na cidade de Lisboa.

HÉRCULES

Hercules: Fall of an Avenger (Volume 1) #1
Título: “Greek Tragedy Part 1 of 2”
Argumentista: Paul Tobin
Desenhador: Reilly Brown
Arte-Finalista: Jason Paz
Colorista: Will Quintana
Capa: Ariel Olivetti
Editora: Marvel
Publicado em maio de 2010

Nesta história, Portugal aparece apenas episodicamente, mas merece ser mencionado devido à situação dramática envolvida.

Hercules está morto! Uma onda de tristeza percorre o mundo e Vénus anda a confortar todos aqueles que pode. Entre estes está uma mulher em choque num quarto na cidade do Porto.

E é isto! Uma vinheta apenas!

LOÏS

As Viagens de Loïs – Volume 1
Título: “Portugal”
Escritor: Luís Diferr
Desenhador: Luís Diferr
Colorista: Luís Diferr
Capa: Luís Diferr
Editora: ASA
Publicado em junho de 2010

Jacques Martin, o criador de Alix, criou em 2002 (e publicou em 2003 na Casterman) o seu último personagem, Loïs – um pintor enviado para o Novo Mundo numa missão de “recolha de imagens”.

Ambientado no tempo de Luís XIV, a série tem já sete álbuns publicados e, paralelamente, tem um spin-off com o título “As Viagens de Loïs”.

Ora, quando Jacques Martin, em 2002, esteve no Festival Internacional de BD da Amadora conheceu o português Luís Diferr e lançou-lhe o repto de desenhar um álbum sobre Portugal.

O álbum retrata Portugal após a Restauração e antes do terramoto de 1755, ou seja, entre o século XVII e o XVIII.

Nele conhecemos, detalhadamente e com grande mestria no desenho, as obras mais emblemáticas da arquitectura nacional como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Aqueduto das Águas Livres, o Convento de Mafra, o Convento de Cristo em Tomar e a Torre dos Clérigos (num pequeno anacronismo).

Para além disso, temos vistas aéreas – como a que se segue representando o Rossio em Lisboa, em página dupla -, paisagens à beira do Douro, jardins, palácios, solares, tudo com um enorme grau de pormenor.

Mas o trabalho de Luís Diferr vai mais longe e ele retrata também os trajes da época, mobiliário, os coches, recriando mesmo a vida quotidiana nas urbes.

Sem margem para dúvida, uma obra que revela um apuradíssimo trabalho de investigação e de reconstituição de época. A ler e a ver!

MARVEL ADVENTURES: SUPER-HEROES

Marvel Adventures: Super-Heroes (Volume 2) #9
Título: s. t.
Argumentista: Paul Tobin
Desenhador: Scott Koblish
Arte-Finalista: Peter Nguyen
Colorista: Sotocolor
Capa: Ronan Cliquet
Editora: Marvel
Publicado em fevereiro de 2011

Correm duas histórias em paralelo. Uma com o Nova e o Visão e que não nos interessa para aqui. A outra com os Vingadores a tentarem evitar que o reino da Atlântida seja destruído por uma horda de monstros gigantescos.

Capitão América, Homem de Ferro e Mulher Invisível interpõem-se entre diversas revoadas de monstros e a Madeira, tentando defender a ilha a todo o custo.

MICHEL VAILLANT

Michel Vaillant Volume 19 (original)
Título: Rali em Portugal
Argumentista: Jean Graton
Desenhador: Jean Graton
Capa: Jean Graton
Editora: Bertrand | Público/ASA
Publicado em 1981 e 2014

Michel Vaillant Volume 45 (original)
Título: O Homem de Lisboa
Argumentista: Jean Graton
Desenhadores: Jean Graton, Christian Lippens, Guillaume Lopez
Colorista: Juan Castilla
Capa: Jean Graton
Editora: Meribérica
Publicado em 1992

Michel Vaillant, o conhecido piloto de Fórmula 1 criado por Jean Graton em 1957 para a revista Tintin, também teve o seu quinhão de aventuras em Portugal. Mais precisamente, duas, se não contarmos com “Um Encontro em Macau” quando o território ainda nos estava alugado.

Cronologicamente, o primeiro álbum é “Rali em Portugal”, onde Michel Vaillant e Steve Warson participam na 3.ª edição do Rali TAP, em 1969.

E se o título deixasse margem para dúvidas, a primeira vinheta encarrega-se de as tirar. Um avião da TAP faz a aproximação a Lisboa pelo Castelo de S. Jorge. Ao fundo vê-se a ponte sobre o Tejo e o Cristo Rei e à esquerda a Praça do Comércio, retratada logo na segunda vinheta.

Os troços por onde passa o rali (Lisboa, Sintra, Arganil, Buçaco, Montejunto, Coimbra, Estoril) estão descritos e desenhados com detalhe e verosimilhança, como se pode ver na imagem em baixo com os desenhos da Quinta Mazziotti, o arco da Penha Verde e o Lago do Vítor que abre caminho para a estrada da Pena em Sintra.

Neste álbum, pelo tom das descrições sente-se o carinho que Jean Graton nutria por Portugal. E o trabalho de investigação revela-se extremamente pormenorizado em muitas das pranchas.

No segundo álbum, “O Homem de Lisboa”, Michel Vaillant regressa a Portugal para tentar recuperar documentos secretos roubados da fábrica Vaillante.

Ao mesmo tempo, Steve Warson participa novamente no Rali de Portugal com a namorada Julie Wood. Para além disso, passeiam por sítios bem conhecidos dos portugueses. Praça do Comércio, Rossio e Torre de Belém em Lisboa; a Lagoa Azul, em Sintra; o antigo Hotel Estoril Sol e o Casino do Estoril; e o Hotel Palácio do Buçaco, são alguns dos locais retratados.

Duas notas finais para este álbum.

Graton colocou também personagens portugueses reais na história. César Torres (durante muitos anos o organizador da prova automobilística) e a dupla de corredores Jorge Ortigão e João Baptista são alguns deles.

A última nota para a descrição do comportamento de loucos do público português que assistia às provas classificativas e que é mostrado em várias páginas e também na capa.

NAMOR

Namor The Submariner (Volume 1) #58-62

Títulos, respectivamente: “Deep Six”; “When Titans Splash”; “Swords and Souls”; “Dichotomy of Souls”; e “Beware the Tides of March”
Argumentista: Glen Herdling
Desenhador: Geof Isherwood
Arte-Finalista: Geof Isherwood
Colorista: Glynis Oliver
Capa: Geof Isherwood
Editora: Marvel
Publicado de janeiro a maio de 1995

Esta é aquela que pode ser chamada de A Saga Açoriana de Namor, o Príncipe Submarino.

Ao longo de cinco comics, ele vai ser acompanhado pelo Capitão América, Crystal, Hércules, Mercúrio, Visão, Tritão, Andrómeda, Marrina e até pela Mulher-Aranha.

A acção passa-se nos Açores, na ilha de S. Miguel (a que algumas vezes chamam ilha de San Paolo – nitidamente uma falha de continuidade). Para além disso, temos cenas em Ponta Delgada e no Instituto Oceanográfico de Ponta Delgada e nas Furnas.

Muitas das vezes, a ilha de S. Miguel é retratada como se fosse uma ilha tropical, mais ao estilo da ilha da Madeira, mas lá pelo meio até falam de vulcões e de placas tectónicas.

NEW MUTANTS

New Mutants (Volume 3) #13
Título: “Second Coming: Chapter Two”
Argumentista: Zeb Wells
Desenhadores: Ibraim Roberson e Lan Medina
Arte-Finalistas: Ibraim Roberson e Lan Medina
Colorista: Brian Reber
Capa: Adi Granov
Editora: Marvel
Publicado em junho de 2010

Inserido na saga “Second Coming”, o protagonista da cena portuguesa neste número dos Novos Mutantes é o Vanisher.

O Ciclope pede a Domino que lhe traga o Vanisher, antes que este seja raptado, como tinham sido Ariel e Nocturno.

Ao encontrá-lo, Domino pergunta “Não estás a pensar fugir para o teu bordel português, pois não?!”

O Vanisher entra em pânico e regressa a Portugal, ao seu esconderijo em Monsanto, onde encontra as suas três namoradinhas mortas.

THE NEW TITANS

The New Titans (Volume 1) Annual #5
Título: “When the Sun Turns Black”
Argumentista: Marv Wolfman
Desenhador: Chris Wozniak
Arte-Finalista: Carlos Garzón
Colorista: Adrienne Roy
Capa: Chris Wozniak
Editora: DC
Publicado em agosto de 1989

Na cena que nos diz respeito, Raven vem parar a Portugal nas piores condições e é salva por um pescador que a recolhe em sua casa enquanto chama um médico.

De Portugal, só o nome e a língua portuguesa.

S.H.I.E.L.D.

S.H.I.E.L.D. (Volume 3) #7
Título: “The Strange Case of Daisy Johnson and Mr. Hyde”
Argumentista: Mark Waid
Desenhador: Greg Smallwood
Arte-Finalista: Greg Smalwood
Colorista: Guru-eFX
Capa: Julian Totino Tedesco
Editora: Marvel
Publicado em agosto de 2015

A S.H.I.E.L.D. anda à caça de Mr. Hyde e vem encontrá-lo na costa ocidental de Portugal, numa fortaleza abandonada que lembra vagamente o Forte de São João Baptista na ilha das Berlengas. A estrutura em si está alterada, mas a curva do caminho não engana, como se pode ver na foto seguinte.

TRUTH

Truth: Red, White & Black (Volume 1) #4
Título: “Part Four: The Cut”
Argumentista: Robert Morales
Desenhador: Kyle Baker
Arte-Finalista: Kyle Baker
Colorista: Kyle Baker
Capa: Kyle Baker
Editora: Marvel
Publicado em abril de 2003

Mini-série em 7 comic books que conta a história de Isaiah Bradley, um dos trezentos negros sujeitos a experiências por parte do exército americano durante a Segunda Guerra Mundial na tentativa de criarem super-soldados (como aconteceu com Steve Rogers, o Capitão América). O super-soro que lhes é injectado provoca mutações e acaba por levar à morte.

Para aqui interessa que um grupo de supersoldados vem para Sintra com o Capitão América. A cena passa-se no Castelo dos Mouros onde Maurice, já afectado pelos efeitos nefastos do suprr-soro, fere Isaiah Bradley (o protagonista), mata o sargento Luke e é abatido pelo soldado Merritt.

X-FORCE

X-Force (Volume 3) #21
Título: “Necrosha: Chapter Two”
Argumentistas: Craig Kyle e Chris Yost
Desenhador: Clayton Crain
Arte-Finalista: Clayton Crain
Colorista: Clayton Crain
Capa: Clayton Crain
Editora: Marvel
Publicado em janeiro de 2010

Este comic faz parte de uma saga que tem repercussões no número dos New Mutants já examinado neste artigo.

O Vanisher, depois de ter dormido com três portuguesas no seu esconderijo de Monsanto, a “aldeia mais portuguesa de Portugal”, começa a cuspir sangue. Atenção que os dois factos não estão relacionados.

Como se pode ver na foto abaixo, houve um certo cuidado a retratar Monsanto.

LUSITANOS

Astérix – Volume 10
Título: “Astérix Legionário”
Argumentista: René Goscinny
Desenhador: Albert Uderzo
Capa: Albert Uderzo
Editora: Bertrand | Meribérica | ASA
Publicado em 1974, 198? e 2007, respectivamente

Astérix – Volume 17
Título: “O Domínio dos Deuses”
Argumentista: René Goscinny
Desenhador: Albert Uderzo
Capa: Albert Uderzo
Editora: Bertrand | Meribérica | ASA
Publicado em 1974, 1989 e 2007, respectivamente

Astérix – Volume 37
Título: “Astérix e a Transitálica”
Argumentista: Jean-Yves Ferri
Desenhador: Didier Conrad
Capa: Didier Conrad
Editora: ASA
Publicado em 19 de outubro de 2017

Não! Astérix e Obélix (ainda) não passaram por Portugal!

No entanto, em três das suas aventuras há referências ou participações dos portugueses. Ou melhor, dos lusitanos, pois D. Afonso Henriques ainda estava longe e não tinha inventado o nosso país.

Em Astérix Legionário há uma referência à canção de Jacqueline François “Les Lavandiéres du Portugal”, onde um centurião, enquanto lava e esfrega a roupa, canta o refrão: “Les lavandiéres de Lusitanie et tape et tape et tap…” (“As lavadeiras da Lusitânia fazem tap-tap”).

Já em O Domínio dos Deuses, a participação lusa vai um pouco mais longe e, na sua aparente simplicidade, nem mais do que se lhe diga.

Júlio César, por demais irritado e furioso pela continuada resistência da famosa aldeia gaulesa de Astérix, ordena que se construa um enorme condomínio privado mesmo ao lado.

São chamados escravos de várias proveniências para os trabalhos duros de construção civil. Mas todos mandriam, fazem greves, reivindicam direitos. Todos? Todos, não! Os lusitanos são os moderados de brandos costumes, como se pode ver na imagem em baixo.

Uderzo disse numa entrevista que retratava os lusitanos baixinhos e educados porque todos os portugueses que conhecera eram assim.

Mas o maior protagonismo dos lusitanos verifica-se num álbum bem mais recente. Astérix e a Transitálica gira à volta de uma corrida de quadrigas, organizada por Júlio César.

A corrida servirá para provar que as vias romanas (que vão dar todas ao mesmo sítio) são as melhores do mundo. Para isso, formam-se equipas de romanos (com destaque para o premonitório Coronavírus), gauleses (são os nossos Astérix e Obélix), godos, persas, bretões, normandos, lígures, etruscos e… lusitanos!

Desta vez, os lusitanos têm aparições ao longo de todo o álbum e no fim o protagonismo é deles.

A dupla é composta pelo Biscatês (que nunca dá a cara) e pelo Àsduasportrês (algo indolente). São os últimos a chegar à corrida, andam sempre atrasados, falta-lhes estratégia e ambição e, mesmo assim acabam por levar a taça.

Ao longo da aventura, estando o protagonismo em Astérix e Obélix, os lusitanos são a grande piada, em todos os sentidos. Retenhamos o melhor deles.

OLIVEIRA DE FIGUEIRA

Tintin – Volume 4
Título: “Os Charutos do Faraó”
Argumentista: Hergé
Desenhador: Hergé
Capa: Hergé
Editora: Difusão Verbo | ASA
Publicado em 1994 e 2010, respectivamente

Tintin – Volume 15
Título: “Tintin no País do Ouro Negro”
Argumentista: Hergé
Desenhador: Hergé
Capa: Hergé
Editora: Difusão Verbo | ASA
Publicado em 1990 e 2010, respectivamente

Tintin – Volume 19
Título: “Carvão no Porão”
Escritor: Hergé
Desenhador: Hergé
Capa: Hergé
Editora: Difusão Verbo | ASA
Publicado em 1992 e 2011, respectivamente

Nos álbuns de Tintin há um personagem português, o senhor Oliveira da Figueira. Tem aparições nos álbuns “Os Charutos do Faraó”, “Tintin no País do Ouro Negro” e “Carvão no Porão”. Para além disso, é mencionado numa cena em “As Jóias da Castafiore”.

Oliveira da Figueira é um comerciante lisboeta dotado de uma verve inigualável. Capaz de vender grãos de areia no deserto, a sua primeira aparição data de 1934 no álbum “Os Charutos do Faraó”, onde conhece Tintin e o convence, com a lábia de um experiente caixeiro-viajante, a comprar os mais variados e inúteis objectos. Faz o mesmo no deserto do Khemed, sendo muito apreciado pelos beduínos.

Volta a aparecer em 1950 no álbum “Tintin no País do Ouro Negro”. É em Wadesdah, onde arranjou casa, que acaba por se cruzar duas vezes com Tintin e o ajuda a entrar no covil do Dr. Muller.

Tem a sua última aparição em 1958 no álbum “Carvão no Porão”. Aqui volta a ajudar Tintin e o Capitão Haddock dando-lhe guarida na sua casa de Wadesdah e arranjando-lhes disfarces para poderem escapar da cidade incógnitos. Mas antes, tem tempo ainda para oferecer ao Capitão Haddock uns copos de vinho português.

Para além de Oliveira da Figueira, outros dois personagens representam Portugal nas aventuras de Tintin.

Em “A Estrela Misteriosa”, um dos membros da expedição científica é Pedro João dos Santos, professor de Física na Universidade de Coimbra.

Ainda antes, em “Tintin no Congo”, o representante do jornal “Diário de Lisboa” tenta aliciar Tintin a abandonar o trabalho no “Vingtième Siècle” e a ir trabalhar para ele.

BLAKE E MORTIMER

As Aventuras de Blake e Mortimer – Volume 7
Título: “O Enigma da Atlântida”
Argumentista: E. P. Jacobs
Desenhador: E. P. Jacobs
Capa: E. P. Jacobs
Editora: Verbo | Bertrand | Meribérica | Público/Asa
Publicado em 196?, 1980, 1993 e 2008, respectivamente

Para terminar com chave de ouro, nada melhor que mencionar Blake e Mortimer. Personagens icónicos da BD franco-belga, tiveram a sua passagem por Portugal no álbum de 1957, “O Enigma da Atlântida”.

De férias nos Açores, o professor Mortimer resolve explorar uma gruta onde acaba por encontrar um metal desconhecido com propriedades radioactivas. Associando-o ao oricalco mencionado por Platão em “Crítias” e utilizado na Atlântida como algo precioso, Mortimer pede ao seu amigo capitão Blake que se lhe junte na ilha de S. Miguel.

Os dois acabarão por descobrir uma enorme cidade subterrânea onde vivem os descendentes dos atlantes. E a aventura começa…

São muito os heróis estrangeiros que têm aventuras em Portugal. Umas mais pormenorizadas, outras menos. Umas exímias no detalhe, outras representando o nosso país através de obscuros rabiscos.

Contudo, de uma maneira ou de outra, é sempre curioso e dá-me uma certa satisfação ver heróis estrangeiros de visita a Portugal.

Caso conheçam alguns que não estejam aqui mencionados, não hesitem! Digam-nos alguma coisa.

SOBRE O AUTOR |

Francisco Pedro Lyon de Castro
Francisco Pedro Lyon de CastroColaborador
Amante da literatura em geral, apaixonado pela BD desde a infância, a sua vida adulta passa-a toda rodeado de livros como editor. Outra das suas grandes paixões é o cinema e a sua DVDteca.