A série televisiva: fazer das fraquezas forças.

Doom Patrol é uma série sobre a diferença e como ela pode ser cruel para as relações interpessoais. Num determinado sentido, até poderíamos fazer um paralelo entre o filme Joker e a série, pois ambos falam de exclusão e solidão. Mas não se pense que Doom Patrol é algo triste… Pelo contrário! Numa das suas primeiras missões, têm que encontrar o Chefe, Niles Caulder (homem que os transformou naquilo que são), depois de ter sido engolido por um buraco negro. Posteriormente, descobrem que a entrada para esse buraco é a boca de um… Burro. É isso mesmo que leram, um burro. E o que dizer então quando um rato entra na cabeça do Homem-Robô por vingança, pois ele tinha atropelado a sua mãe, levando-o à loucura? Sim, a ironia está sempre presente nesta série.

Entretanto, descobre-se que Niles Caulder tinha sido raptado pelo supervilão que pretende vingança, o Mr. Nobody. Logo no princípio, o vilão afirma: “Mais uma série de super-heróis. É mesmo disso que o mundo precisa”… Mas esta não é propriamente uma série de super-heróis, pelo menos em traços gerais. Os episódios têm traços pós-modernos com um rejeitar do que é ser herói e algum ceticismo perante a sua definição. O guião é formulado de uma forma adulta e tem um narrador que tudo sabe (Mr. Nobody) e interpela diretamente o espetador. Não é uma fantasia sobre poderosos mas sim uma meditação sobre o trauma e a dor, sempre com uma pitada de humor.

Não é uma série sobre super-heróis mas, ao invés, sobre pessoas que têm poderes mas não os sabem utilizar e não têm a “coragem” para assumir o risco de ser um herói. Isto acontece devido ao facto de serem pessoas completamente normais quando indeliberadamente adquiriram os seus poderes, que os deixaram traumatizados e desfigurados. Tal deixa marcas profundas – todos nós já nos sentimos mal e antissociais e Doom Patrol aborda essa temática. O ritmo dos episódios está bem estruturado, deixando sempre o espetador ansioso pelo próximo episódio.

Em banda desenhada a patrulha, a série apareceu pela primeira vez em junho de 1963 na revista My Greatest Adventure #80, tendo sido criada por Arnold Drake, Bob Haney e Bruno Premiani para a DC Comics. A equipa constitui um paralelo com outra equipa da Marvel Comics, os X-Men, que surgiram 3 meses mais tarde em título próprio, pois ambas são constituídas por pessoas que foram afastadas da sociedade e criadas por homens em cadeiras de rodas. No entanto, a série é largamente influenciada por uma das suas fases mais aclamadas, a escrita por Grant Morrison a partir do #18 da 2.ª série (com fevereiro de 1989 como data de capa), que terminaria com o #63 (janeiro de 1993).

A série de televisão surgiu após a equipa ter tido direito a uma aparição na primeira temporada da série Titans. A série Doom Patrol estreou a 15 de fevereiro de 2019 nos EUA na plataforma de streaming DC Universe, estando no nosso país disponível na plataforma HBO Portugal. Neste momento, conta com duas temporadas, a primeira com 15 episódios e a segunda com 9, já tendo sido confirmada a existência de uma terceira temporada.

Nos principais papeis estão Diane Guerrero no papel de Crazy Jane, April Bowlby como Mulher-Elástica e Brendan Fraser, o conhecido ator de A Múmia como Homem-Robô. A restante equipa é formada por Matt Bomer a dar corpo ao Homem-Negativo e Joivan Wade como Ciborgue. Quanto a o Chefe é interpretado pelo veterano Timothy Dalton.

Uma boa série para tornar bons estes dias de pandemia.

SOBRE O AUTOR |

Paulo Pereira
Paulo PereiraColaborador
Apaixonado por BD, o seu livro preferido é “Maus” e tem mais livros que amigos (embora goste de amigos). Também acha que alguém devia erguer uma estátua ao Alan Moore. Dá-lhe muito prazer ver séries e filmes baseados nas mais variadas bandas desenhadas.