Os resultados de 2020 e o plano para 2021.

Em 2020, a G. Floy desceu para o 4.º lugar das editoras que publicaram mais banda desenhada no nosso país. De 40 livros em 2019, desceu para 24 edições em 2020. Apesar de nas obras lançadas em 2019, estarem, obviamente, incluídas as publicadas em parcerias nos primeiros meses daquele ano e que são atualmente publicadas via A Seita, a diferença de 16 álbuns não esgota a sua explicação nesse facto.

No que toca às três obras mais vendidas em 2020, a editora Christine Meyer divulga terem sido Deadpool Mata Deadpool (um lançamento de 2019), Novos X-Men vol. 1: E de Extinção (uma reedição de material lançado originalmente em Portugal pela Devir há 17 anos) e Roughneck, um Tipo Duro (um livro de BD da autoria de Jeff Lemire). A série Deadpool Mata…, escrita por Cullen Bunn, parece estar realmente no topo dos gostos dos leitores portugueses, pois já em 2019 o livro mais vendido tinha sido Deadpool Mata os Clássicos.

Quanto à obra lançada cuja reação do público não correspondeu às expetativas da editora, Christine Meyer afirma-se “um pouco surpresa por, de todas as séries que estamos atualmente a publicar, Criminal não estar a vender melhor. É, realmente, uma excelente série – uma história policial fantástica de Ed Brubaker, magnificamente ilustrada por Sean Phillips. Seria a minha maior recomendação aos leitores que ainda não estejam familiarizados com este trabalho.” Relembre-se que Criminal foi galardoada com o Prémio Bandas Desenhadas 2019 na categoria de Melhor Série.

No que toca ao plano editorial para o primeiro semestre de 2021, a editora revela prosseguirem as séries Criminal (vol. 4), Stumptown (vol. 3), Gideon Falls (vol. 5), Outcast (vol. 6), Novos X-Men (vol. 4), Sete para a Eternindade (vol. 2) e Faitheless (vol. 2). Por outro lado, está também prevista a edição de Ascender (vol. 1), a série que prossegue a já publicada Descender. Quanto a outras novidades, estão planeados os livros Edgar Allan Poe’s Spirits of the Dead, Wolverine: Black, White and Blood e Family Tree.

No que toca às diferenças com o plano editorial polaco da Mucha Comics, da qual a G. Floy é filial, registe-se que para além do terceiro tomo de Age of Apocalypse (série original de 1995 que a editora decidiu não publicar no nosso país) e um livro dedicado ao Spectacular Spider-Man (com material original de 1991 a 1993), a grande ausência é Moonshadow, escrito por J.M. DeMatteis e ilustrado por Jon J Muth, George Pratt, Kent Williams, Sherri Van Valkenburgh e Glenn Pepple.

Exceto bandas desenhadas da Marvel e DC, de um modo geral, quer o mercado polaco quer o português são pequenos em termos de vendas de BD norte-americana. Isto significa que se não coimprimirmos a cores estas obras não é viável publicarmos banda desenhada com a qualidade com que temos feito – capa dura, espessura do papel, etc. Isto significa, com exceção da BD da Marvel, que o meu objetivo é publicar praticamente tudo em ambos os países“, explica Christine Meyer. “No que toca à Marvel, infelizmente a Disney decidiu aumentar o preço dos seus licenciamentos em 25 a 40%, dependendo da série. Tem sido um aumento gradual ao longo dos últimos três anos, mas quando chegámos à altura de negociar com eles o nosso plano para 2020, os preços tinham-se tornado tão caros que eu me recusei a adquirir novos licenciamentos. Essa é a triste razão porque não estamos a publicar X-Men: Age of Apocalypse em Portugal, mas somente na Polónia, onde a Marvel vende muito bem.

Sobre a dificuldade de publicar Marvel no nosso país, Christine Meyer dá uma possível explicação. “Presumo que os altos valores de licenciamento são a razão porque a Panini não tem conseguido encontrar outras editoras em Portugal que queiram publicar Marvel; como consequência, criaram um plano para Portugal, que consiste em distribuir as edições brasileiras“.

Quanto a Moonshadow não ser editado em Portugal, a pandemia de “COVID teve, infelizmente, um grande impacto nas nossas vendas em Portugal. O confinamento na primavera originou que, praticamente, não tivéssemos vendas durante três meses, bem como atrasos em vários livros“, explica Christine Meyer. “Infelizmente, o mercado ainda não recuperou para o nível pré-COVID e essa é a razão porque desisti de publicar Moonshadow em Portugal. O livro teria uma produção muito dispendiosa e o preço final seria de 45 a 50 euros; infelizmente, com as vendas que estamos a ter atualmente, seria completamente irrealista conseguirmos sequer recuperar o investimento. Lamento imenso ter de tomar esta decisão“.

Perante estas novidades menos boas, perguntámos a Christine Meyer que boas notícias poderia dar aos seus leitores portugueses, para além do plano editorial do primeiro semestre. “Nós conseguimos ultrapassar um ano extremamente tumultuoso e vamos continuar a publicar uma numerosa quantidade de boas bandas desenhadas. Em 2021, espero que publiquemos 20 a 22 livros” diz a editora. “Gostaria ainda de agradecer a todos os nossos leitores pelo seu suporte; deixa-me muito feliz ver tantas pessoas a comprar praticamente tudo o que publicamos!“.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.