Os resultados de 2020 e o plano para 2021.

Após 4 obras editadas em 2019, a cooperativa editorial A Seita publicou 7 livros a solo e 1 livro em coedição em 2020.

Quanto às 3 obras mais vendidas em 2020, foram os 2 álbuns da série Lucky Luke visto por…O Homem que Matou Lucky Luke de Matthieu Bonhomme e Lucky Luke Muda de Sela de Mawil – e a edição portuguesa de Andrómeda ou o Longo Caminho para Casa de Zé Burnay (lançado em outubro de 2019). Segundo José de Freitas, “O Homem que Matou Lucky Luke chegou aos 2500 exemplares vendidos, e o Lucky Luke Muda de Sela está a vender muito bem também, mesmo tendo saído só em setembro – embora menos que o anterior. Em terceiro lugar temos o Andrómeda, do autor português Zé Burnay, que tem sido uma boa surpresa e que prevemos que esgotará no primeiro semestre do ano – embora com uma tiragem muito menor do que os do Lucky Luke. De salientar que, apesar de um ano complicado, prosseguimos com a edição da série do Dylan Dog, com mais dois volumes, e completámos a coleção do The Lisbon Studio com o quarto e último volume, Raízes“.

Quanto à pandemia de COVID-19, o editor refere que as obras mais afetadas foram as do Dylan Dog. “O ano não foi especialmente mau e as vendas até não desiludiram demasiado, embora o período de abril a junho tenha sido complicado porque afetou em particular as bancas, já que muitas estavam fechadas, e sobretudo o distribuidor não sabia quais iriam estar abertas. Os livros mais afetados por isso, e que sofreram mais com o facto, foram os de Dylan Dog; e temos de admitir também que é uma série que gostaríamos de ver mais popularizada e divulgada. Não que tenha sido uma desilusão, ou que as vendas sejam más, mas esperávamos um pouco mais, e esperávamos que o Detetive do Pesadelo se afirmasse mais no nosso país. É uma série bem boa e encorajamos todos os leitores a tentar a sua leitura, até porque não são livros caros!

Quanto ao plano editorial de 2021, a editora anuncia somente o seu plano para o primeiro semestre. “Dylan Dog terá mais dois volumes, e desta vez com a novidade de partilhar os próximos dois volumes com outra personagem da Bonelli que os leitores portugueses já viram, Dampyr“, revela José de Freitas. “Inauguraremos também uma coleção de Tex em álbuns de formato mais ou menos franco-belga, histórias autocontidas, e planeamos para o primeiro semestre dois lançamentos – e três no total do ano. E, finalmente, vamos inaugurar também uma coleção focada em adaptações de grandes textos ou de clássicos, de que gostaríamos de fazer 3 a 4 livros por ano, e de que os primeiros dois volumes, a editar no primeiro semestre deste ano, serão a adaptação do Drácula de Bram Stoker pelo mítico desenhador Georges Bess, um belo volume de 200 páginas a preto e branco em formato franco-belga, e uma versão em banda desenhada espetacular do Apocalipse, a Revelação de São João, mais uma obra que nos chega do universo dos fumetti, um álbum de cerca de 112 páginas em formato grande pelas mãos de Alfredo Castelli e Corrado Roi, dois dos maiores autores da Bonelli. E teremos, finalmente, mais um Lucky Luke na nossa coleção de homenagens ao cowboy que dispara mais depressa que a sua sombra, e um ou dois álbuns de autores portugueses no nosso selo Comic Heart, embora seja possível que estes escorreguem para o segundo semestre. Claro que temos outros planos e algumas grandes surpresas, mas teremos de esperar pela segunda metade do ano, e para assinar com absoluta certeza os contratos. Contamos fechar o ano com 12 a 15 lançamentos.

Quanto à primeira coedição da cooperativa A Seita com a Arte de Arte de Autor, manifestada pela publicação de Shangai Dream, com argumento do francês Philippe Thirault e desenhos do português Jorge Miguel, José de Freitas informa que “a maioria dos cooperantes d’ A Seita são pessoas que andam na BD há já bastante tempo, e que mantém boas relações com a maioria dos editores do nosso mercado, e que também gostam de trocar ideias e informações sobre esse mesmo mercado com alguns desses editores – aqueles que são mais abertos nessas questões. Em conversa com a Vanda Rodrigues, durante a ida a Angoulême, descobrimos que a Arte de Autor também estava interessada em editar os livros do Jorge Miguel, e em vez de andarmos a competir pelo título, decidimos cooperar e fazer uma oferta conjunta. Até agora, tem corrido tudo muito bem, e houve um ótimo entendimento entre as duas editoras. A nossa ideia é prosseguir com a edição das histórias que o Jorge Miguel desenhou para a Humanoïdes Associés, lançando mais um volume para o final do ano. E, claro, falámos de muitos mais planos possíveis, mas por enquanto ainda é cedo para falar nisso!

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.