Adaptação da obra de George Orwell.

A editora Relógio D’Água regressa este mês à edição de banda desenhada com a adaptação do romance de George Orwell A Quinta dos Animais – mais conhecido em Portugal como O Triunfo dos Porcos, título fixado pelas Publicações Europa-América – pelo brasileiro Odyr.

Animal Farm foi originalmente publicado em 17 de agosto de 1945 pela editora londrina Secker and Warburg. Desde então, tem tido direito a múltiplas transposições para outros media, desde o cinema e televisão às dramatizações para o palco e a rádio, bem como à banda desenhada (algumas das quais publicadas no nosso país), tendo esta fábula que satiriza a Revolução Russa de 1917 e a era estalinista conquistado os mais diversos públicos.

Quanto à presente adaptação brasileira para banda desenhada foi originalmente publicada pela Cia. das Letras em setembro de 2018, tendo vindo a ser publicada em diferentes países desde então. É elaborada por Odyr, ilustrador de quem já tinham sido publicados no nosso país as obras Copacabana (Polvo, 2014) e Guadalupe (Polvo, 2016), tendo valido ao autor o Troféu HQ Mix na categoria Melhor Adaptação para os Quadrinhos em 2019.

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Eis a sinopse da editora:

Uma sátira mordaz sobre uma sociedade oprimida que caminha para o totalitarismo.
Alegórico e intemporal, o livro de George Orwell, agora em romance gráfico, adaptado e ilustrado por Odyr.

George Orwell
De seu nome verdadeiro Eric Arthur Blair, nascido em Junho de 1903, no início de um século marcado por duas guerras mundiais, o estalinismo e o nazismo, George Orwell resume na sua obra os sonhos e pesadelos do mundo ocidental nesse período. Nasceu Eric Arthur Blair em Motihari, na Índia Britânica. O pai era um funcionário subalterno inglês e a mãe tinha origem francesa. Após o regresso dos pais a Inglaterra, estudou numa escola na Henley-on-Thames, onde se distinguiu pela relativa pobreza e pelo brilhantismo intelectual. Frequentou depois duas importantes escolas inglesas, Wellington e Eton College, onde teve como colegas Cyril Connolly e Anthony Powell. Aldous Huxley foi seu professor. Mais tarde Orwell resumiu essa experiência como “cinco anos num banho tépido de snobismo”. Mas foi nessa época que conheceu duas obras que o influenciaram, A Ilha do Doutor Moreau, de H. G. Wells, e O Tacão de Ferro, de Jack London. Ao abandonar Eton, decidiu não ir para Oxford e entrar na polícia birmanesa, embarcando para as Índias. Nos cinco anos que se seguiram, descobriu a realidade do imperialismo e recolheu material para Dias Birmaneses e para ensaios tão originais como “Matar Um Elefante” e “Um Enforcamento”.
Regressado à Europa, frequentou os bairros pobres de Londres, instalando-se em Paris na Primavera de 1928. Atingido por uma pneumonia, foi internado num hospital, cujas condições terríveis inspiraram o ensaio “Como Morrem os Pobres”. A convivência com os pobres e os vagabundos forneceu-lhe material para Na Penúria em Paris e em Londres, que publicou em 1933 com o pseudónimo George Orwell. Em 1936, o Left Book Club propôs-lhe escrever um livro sobre as condições dos operários no Norte do país. Partilhou a vida dos mineiros e confirmou as suas convicções socialistas. Escreveu numerosos artigos numa abordagem que considerava “semi-sociológica”, casou com Eileen O’Shaughnessy e correspondeu-se com Henry Miller, que apreciava a sua obra e ironizava com o seu idealismo. Em 1937, decidiu combater em Espanha ao lado dos republicanos, mas, em vez de se juntar às Brigadas Internacionais, ingressou na milícia do POUM, um grupo marxista heterodoxo, lutando na frente de Aragão. Foi ferido, assistindo na convalescência à eliminação pelo Partido Comunista, apoiado pela URSS, das milícias anarquistas e do POUM. Descreveu essa experiência em Homenagem à Catalunha (1938), que lhe valeu inúmeras calúnias. Em 1939, começou por se opor à participação da Grã-Bretanha na guerra, mas depressa se voltou contra os pacifistas, acusando-os de fazerem o jogo de Hitler. A partir de 1940, fez crítica teatral e de cinema, colaborou na Partisan Review e escreveu notáveis ensaios literários sobre Dickens, Tolstoi e Shakespeare. Em 1942-43, trabalhou para o serviço indiano da BBC, uma experiência que acabaria por o decepcionar. Em 1945, publicou A Quinta dos Animais que, com Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, seria um libelo contra o totalitarismo estalinista que ameaçava a Europa. Em Junho de 1944, o seu apartamento foi destruído nos bombardeamentos de Londres. Em 1945, após a derrota de Hitler, foi correspondente do Observer em França e na Alemanha. Foi nesse período que a sua mulher faleceu durante uma operação. Em 1948, terminou Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, escrito ao longo de vinte e sete meses, marcados por internamentos em sanatórios por causa da tuberculose. Em outubro de 1949, casou com Sonia Brownell. Morreu no ano seguinte. Tinha 46 anos.

Odyr Bernardi, mais conhecido como Odyr (Pelotas, 1967), é um ilustrador brasileiro. Já publicou ilustrações em jornais e revistas como Folha de S. Paulo, O Globo, Le Monde Diplomatique Brasil, Público, Trip, entre outros. Também foi responsável pelas capas dos livros de Millôr Fernandes entre 2005 e 2008. Como autor de BD, participou das coletâneas Irmãos Grimm em Quadrinhos, Dias Negros (Argentina) e MSP 50. Os seus primeiros livros de BD foram Copacabana (Editora Desiderata, 2009), com roteiro de S. Lobo e Guadalupe (Quadrinhos na Cia, 2012), com roteiro de Angélica Freitas. Em 2018, lançou pela Companhia das Letras o livro A Quinta dos Animais, adaptação em BD do romance homónimo de George Orwell. Por este trabalho, ganhou em 2019 o 31.º Troféu HQ Mix na categoria “melhor adaptação para os quadrinhos”.

A Quinta dos Animais (baseada na obra de George Orwell)
ODYR
Editora: Relógio D’Água
Páginas: 180, a cores
Encadernação: capa mole
Dimensões: 20,2 x 27 cm
ISBN: 9789897830099
PVP: 18,00€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.