Livro ilustrado de Joana Estrela.


Menino ou menina? Azul ou rosa? Guloso ou gulosa?

A questão está no “ou”. Desde cedo, e até mesmo antes de nascermos, há uma necessidade de definição, de distinguir quem é o quê. Encaixamos pessoas em termos binários, esquecendo que somos demasiado extensos para caber numa só palavra.

É precisamente esta a reflexão, sobre identidade e sobre género, que Joana Estrela nos propõe, no seu livro Menino, Menina. A diversidade e a igualdade de género são, aliás, temas recorrentes no trabalho da autora e ilustradora, e este maravilhoso álbum ilustrado não é excepção. Através de rimas, humor e sensibilidade, Joana leva-nos a questionar etiquetas e catalogações imediatas que nem sempre estão correctas à primeira vista.

Com um texto leve e descomplicado (um feliz acaso de ter sido, inicialmente, pensado para ser editado em espanhol), Joana comprova que não há conceito complexo o suficiente que não possa ser desconstruído de forma a que todos o entendamos, independentemente da idade. As ilustrações são também elas simples e cândidas, o que as torna ainda mais belas, e ganham riqueza com a textura dos lápis de cera, tanto em páginas a transbordar de cor como noutras onde o espaço branco predomina. Todo o livro é uma narrativa de cores vibrantes que fazem um paralelismo ao espectro, visível e invisível, do que é ser humano.

Menino, Menina aborda a identidade de género, sem precisar de incluir a palavra “género”. É um poema visual dedicado à diversidade, à igualdade e, sobretudo, à liberdade de se ser quem é. Sem limitações de cores, comportamentos ou formas de vestir.

“Homem, mulher, cada um o que quiser”.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

A nossa identidade não se resume a duas palavras — muito menos à escolha entre as duas palavras que dão título a este livro.
Quem somos e quem sentimos que somos são perguntas que não encontram resposta num mundo a preto e branco, mas antes na grande variedade de tons e possibilidades que existem (e felizmente que é assim!).
Celebremos pois a diversidade, a liberdade e o respeito por todos, com este livro de Joana Estrela que, sem complicar, aborda o tema da identidade de género com humor e sensibilidade.
Para todas as idades.

Joana Estrela, nascida em Penafiel, em 1990, começou cedo a desenhar retratos de família, sobre os quais escrevia legendas divertidas. Um dos seus clássicos para prendas de anos consistia em fazer listas de coisas-que-dizemos-quando-estamos zangados, aplicando a ideia aos diferentes membros da família. À mãe, por exemplo, calhou um retrato rodeado pelos principais ralhetes com que brindava o pai, como “Não calques os tapetes do quarto!” ou “Começas logo a comer e nem cortas a carne às tuas filhas!”.
O seu método de trabalho não mudou muito desde então, até porque o que a motiva a começar um livro continua a ser o seu próprio divertimento.
Estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes do Porto (2012). Passou por Budapeste e Vilnius, e voltou ao Porto, onde trabalha em ilustração e banda desenhada.
Em 2014, a Plana publicou o seu primeiro livro, Propaganda. Em 2016, o Planeta Tangerina publica Mana, a obra vencedora do I Prémio Internacional de Serpa para Álbum Ilustrado. Em 2016, Mana ganhou no Amadora BD o prémio para Melhor Ilustração de Livro Infantil (Autor Português).

Menino, Menina
Joana Estrela
Editora: Planeta Tangerina
Ano: 2020
Páginas: 48, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 195 x 220 mm
ISBN: 9789898145390

SOBRE O AUTOR |

Ana Hoo
Ana Hoo
Desajeitada desde 1989, é ilustradora e aspirante a autora de BD porque ainda acredita ser possível ganhar a vida a fazer desenhos. Trabalha como freelancer de ilustração e design gráfico em parceria com a Ana Vieira (são a mesma pessoa).