O primeiro volume da série.

Após a iniciada e cancelada série Isaac, o Pirata pela Polvo no início do milénio, a obra do francês Christophe Blain tem permanecido alheia ao nosso país. Exceção feita à estreia nas salas de cinema nacionais de Palácio das Necessidades (baseada na BD Quai d’Orsay, chroniques diplomatiques) em 2014, os portugueses não mais tomaram contacto com o trabalho de Blain.

A Gradiva muda este panorama com a edição do primeiro volume de Gus, de seu título Nathalie. Com 4 volumes publicados até ao momento, este primeiro tomo foi originalmente publicado pela Dargaud em 2007. Em 2008, seguiram-se-lhe mais 2 volumes (Beau Bandit e Ernest), tendo Blain somente regressado ao universo de Gus em 2017 com um quarto livro (Happy Clem), que teve direito, para além da edição normal, a uma edição a preto e branco. Refira-se ainda que, em 2008, a editora Barbier & Mathon produziu um álbum integral com os 4 tomos da série, com tiragem limitada, 30 páginas de desenhos inéditos e um ex-libris.

Se é verdade que o primeiro quadrimestre do ano editorial português contou com uma quantidade pouca habitual de obras que se enquadram no género western (à qual a própria Gradiva não é alheia), Gus insere-se no subgénero do western de humor, herdeira do manto do Lucky Luke de Morris, na qual Blain tem toda a liberdade criativa para nos mostrar como concebe a sua obra neste domínio.

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Eis a sinopse da editora:

Em Gus, Christophe Blain conduz o leitor numa viagem pelo faroeste profundo assistindo às suas lutas, frequentando os seus saloons, ouvindo os tiros dos revólveres, acompanhando os seus xerifes, mas fazendo-o ao jeito de um filme de Bacri-Jaoui ou de Woody Allen. Através de histórias quotidianas, Chistophe Blain retrata em cada volume todo este ambiente tendo como fio condutor as peripécias amorosas de Gus. Pequenos mal-entendidos e o dia-a-dia de um cowboy contados com um humor irresistível, são o ingrediente quimérico que faz de Gus uma autêntica surpresa editorial. Christophe Blain realiza, assim, com Gus um dos seus grandes sonhos – imaginar um faroeste à sua maneira.

Christophe Blain nasceu em 1970. Frequentou os cursos de Direito e Design Gráfico e ainda um curso de arte contemporânea, período durante o qual descobre a sua vocação – o desenho, em geral, e a banda desenhada, em particular. Convive, então, com a nova geração de autores de BD dos anos 1990 (Sfar, Bravo, Trondheim, David B., Satrapi, etc.), o que o leva a optar definitivamente pela nona arte, com uma estreia notável, em 1997, com La Révolte d’Hop-Frog antes de obter reconhecimento público e crítico com as séries Isaac le Pirate (cujos primeiros volumes foram publicados em Portugal pela Polvo), Socrate le demi-chien e Gus. Em 2010, publica a primeira parte do díptico Quai d’Orsay, chroniques diplomatiques, com Abel Lanzac, como coargumentista, que lhe contou as suas experiências no Ministério das Relações Exteriores francês durante a era Villepin, que Blain transcreve com um humor e uma clarividência originalíssimas. Quai d’Orsay registou um êxito editorial ímpar (mais de 500.000 cópias vendidas) tendo sido adaptado para cinema, em 2013, por Bertrand Tavernier. Christophe Blain é também autor de La Fille, um álbum produzido em colaboração com a cantora Barbara Carlotti, de In the kitchen with Alain Passard (Gallimard, 2011) e de King Kong (reedição de Hachette em 2019). Recebeu por duas vezes o prémio de melhor álbum do Festival de Angoulême, pelo primeiro volume de Isaac, le pirate (em 2002) e pelo volume 2 de Quai d’Orsay (em 2013), o que o torna num dos raros autores a obter esta distinção por duas vezes. Em 2019, surge a primeira parte de uma aventura do Lieutenent Blueberry (Dargaud) com Joann Sfar. Esta tão esperada “homenagem” à obra-prima criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud permitiu ao autor explorar um género de que gosta particularmente, o western. Christophe Blain colaborou também com Jean-Marc Jancovici, um dos mais relevantes especialistas internacionais em assuntos energéticos e climáticos, no livro Le Monde sans fin (Dargaud), uma obra que aborda com inteligência, humor e rigor os principais desafios energéticos e climáticos do futuro.

Gus vol. 1: Nathalie
Christophe Blain
Editora: Gradiva
Páginas: 80, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 24 x 29 cm
ISBN: 978-989-785-005-9
PVP: 16,50€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.