A versão colorida.

A ASA lançou no passado fim de semana a edição a cores de Tintin no País dos Sovietes, a primeira aventura de Tintin. Criada em 1929, a preto e branco como todas as histórias posteriores até os inícios dos anos 1940, esta primeiríssima aventura de Tintin foi a única que Hergé deixou por colorir.

A génese do famoso repórter Tintin e o seu cão Milu não foi a mais auspiciosa. Hergé, editor e ilustrador do suplemento Le Petit Vingtième, o suplemento infantil do jornal conservador belga Le Vingtième Siècle, decide escrever e ilustrar esta banda desenhada, publicada semanalmente entre janeiro de 1929 e maio de 1930, ano em que é coligido em álbum pela Éditions du Petit Vingtième em 1930. Sendo o próprio suplemento conhecido pelo sua posição explicitamente pró-fascista e antissemita, não seria de estranhar que o diretor do jornal, Norbert Wallez, tivesse encomendando a Hergé uma BD passada na União Soviética, em que, tal como ele, fizesse oposição ao governo ateísta e de esquerda do governo soviético, sendo injetadas na primeira aventura de Tintin ideias antimarxistas e anticomunistas como propaganda para os jovens leitores.

Mais tarde, Hergé, que foi improvisando semanalmente o enredo da história aquando da sua publicação, viria a lamentar não só o facto de não ter realizado uma pesquisa mais profunda sobre a temática abordada, mas também a sua natureza propagandista, o que o levou a impedir a sua reedição nas décadas seguintes. Embaraçado pela pouca qualidade desta história, caracterizou-a como uma “transgressão da juventude” e solicitou à Casterman que, caso fosse reeditada, contivesse um aviso sobre o seu conteúdo. A reedição ocorreria em 1969, limitada a 500 exemplares, para assinalar o seu 40.º aniversário. Seria reeditada novamente em 1973, em parte por a editora querer fazer face às edições falsificadas vendidas por altos preços, devido a se ter tornado uma obra de culto. A edição com o facsimile original ocorreria em 1981.

Em 2017, foi publicada em França uma edição a cores sob a direção artística de Michel Bareau. Dada a natureza especial desta obra, tinham até agora apenas sido autorizadas, para além da edição francesa, as edições em neerlandês (2017) e em dinamarquês (2018). As Edições ASA apresentam, deste modo, aos leitores portugueses 3.ª edição em língua estrangeira a ser publicada em todo o mundo e cuja publicação coincide com a exposição “Hergé”, na Fundação Gulbenkian, onde será apresentada a 6 de dezembro.

Com 230 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, dos quais 2 milhões em Portugal, as aventuras do jovem repórter de poupa levantada e do seu inseparável Milu estão traduzidas em 77 línguas, tendo o português sido a primeira língua em que foi traduzido num país não-francófono.

Atendendo a que o dossier de imprensa da ASA contém material que certamente interessará aos tintinófilos, reproduzimos aqui o mesmo.

Clique nas imagens para a visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

Criada em 1929, esta primeiríssima aventura de Tintin, agora em versão a cores, não deixa de surpreender pela sua nova e moderna legibilidade. Tintin dá provas de uma vibrante energia logo desde o início, mas só assume o aspeto físico que conhecemos quando salta para o volante de um potente descapotável, levando Hergé, na ânsia de ilustrar a velocidade, a levantar a poupa do seu cabelo… para sempre. O jovem autor, com 21 anos e sem qualquer formação em desenho, estava longe de imaginar que acabara de criar um herói que, ao longo de vinte e quatro aventuras, se transformaria num ícone mítico e universal. Esta é a versão colorida de Tintin no País dos Sovietes.

Tintin no País dos Sovietes (versão colorida)
Hergé
Editora: ASA
Páginas: 144, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 302 x 225 mm
ISBN: 9789892352510
PVP: 17,50€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.