Os resultados de 2021 e o plano de 2022.

Após, em 2020, a editora Devir ter publicado 21 livros de banda desenhada (menos 2 que em 2019), tendo sido a 5.ª editora que mais BD editou no nosso país nesse ano, em 2021 foi a editora que editou mais BD em Portugal, com um total de 32 livros. Ao questionarmos Ana Lopes, managing editor da Devir, se tinha sido surpreendida por este facto respondeu que sim e que não. “Já houve anos em que editamos mais livros“, explica. “Este ano, cumprimos mais à risca o plano de lançamentos porque os leitores o permitiram.

A Devir foi uma das editoras que não parou de publicar periodicamente banda desenhada desde que a epidemia de COVID-19 atingiu o nosso país. “A pandemia trouxe «dificuldades diferentes» para o mercado da BD em Portugal“, refere Ana Lopes. “A Devir vai fazer dez anos a publicar manga em 2022, com maiores ou menores dificuldades. Publicamos mais livros em 2021 porque o mercado o permitiu, apesar da pandemia. Estamos a envidar esforços para continuar na mesma via, com mais novidades, mais diversificadas. Somos uma editora pequena e temos trabalhado muito para conseguir atingir esse objetivo e os bons resultados são uma base para continuarmos este trabalho e influenciam sem dúvida o calendário de lançamentos para 2022“.

A manga

A manga originalmente publicada pela editora japonesa Shueisha foi a oferta omnipresente da Devir nos 32 livros publicados em 2021. É um facto que a Devir já editou no passado manga de outras editoras na sua coleção Tsuru, mas em 2021 a mesma não foi prosseguida. Questionámos se a editora não acredita que os seus leitores estejam interessados na diversificação do catálogo da Devir quanto à BD asiática, ao que Ana Lopes responde “acreditamos que estejam, mas a Shueisha é a maior editora japonesa e tem mangas de qualidade em todos os géneros. Não é uma questão de diversificar as editoras, mas sim de diversificar os géneros.

Quanto às 3 séries de manga mais vendidas em 2021, “ainda não fechamos o ano e não tenho uma lista certa, mas o grande sucesso foi certamente Demon Slayer, seguido por My Hero Academia e Naruto“, afirma. “Vamos comunicar os bestsellers na próxima semana“.

Sobre a atenção dada pelos leitores e pela crítica aos livros da Devir publicados em 2021, “acho que este ano não nos podemos queixar, mas em geral, o manga continua a ter pouca atenção da crítica e dos media“, diz Ana Lopes. “Não apenas o manga, mas a BD em geral. Há poucos artigos sobre o tema nos media tradicionais, jornais e revistas e isso não espelha o interesse dos leitores pelo tema. Os bloggers continuam mais atentos a estas trends.

No que toca à manga, a editora não quis revelar quais as novidades planeadas para 2022. “Vamos anunciar oportunamente“, promete. “Estamos a finalizar contratos.

Dado, recentemente, terem surgido em Portugal duas pequenas editoras independentes de manga ou com BD inspirada nesta, a Midori e a Sendai, perguntámos se a Devir acredita que esta diversificação é mutuamente vantajosa por ter o potencial de atrair leitores de umas editoras para as outras. “Sim“, responde. “Sempre defendemos que a existência de mais oferta é benéfica para o mercado e a concorrência também nos faz melhorar.

Os comics e graphic novels

Para além da manga, a Devir definiu no passado mais 2 grandes áreas, a dos comics (leia-se material norte-americano) e das graphic novels (leia-se livros de BD que não pertencem a séries). A BD produzida nos EUA passou de uma das quotas mais dominantes no mercado nacional para algo insignificante, tendo a BD francófona recuperado a sua dominância de há largos anos atrás. Para a diminuição da publicação da BD norte-americana contribuiu a insolvência da Goody, a G. Floy ter reduzido o número anual de publicações e a Planeta Manuscrito, a Levoir e a Devir terem parado de publicar BD proveniente dos EUA. Para os leitores que julgam que a Devir irá regressar à publicação anual de um grande número de comics, desenganem-se. Não é esse o atual modelo de negócio da editora. “O nosso foco, neste momento, é o manga“, esclarece Ana Lopes. “Por outro lado, os comics e graphic novels são, normalmente, coedições com a Devir Brasil e é difícil fazer importações em tempo de pandemia.

Questionada se a ausência de publicação de comics em 2021 significaria que a publicação em Portugal das séries Lazarus e Paper Girls tinha sido cancelada, Ana Lopes garante que “não estão canceladas, mas têm que vir do Brasil. Esperamos conseguir importar os livros este ano.

Devir em 2022

Em resumo, o plano da Devir em 2022 é prosseguir a edição das séries de manga da Shueisha em publicação. Caso exista o lançamento de novas séries de manga em 2022, estas serão certamente da Shueisha. Atendendo a ser a editora portuguesa com mais lançamentos em 2021, acredita-se que esta estratégia da editora se tem revelado vencedora.

É possível que em 2022 sejam prosseguidas as séries Lazarus e Paper Girls, mas não há garantias de tal. No limite, no caso da Devir Portugal reiniciar a importação das coedições brasileiras, é também possível que venham a surgir outros comics e graphic novels. De qualquer modo, importa não esquecer que o foco atual do modelo de negócio da editora é a manga, como foi supramencionado.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.