Número especial de Natal.

A atual série de fanzines Olho Do Cu surgiu em janeiro de 2016 no festival “Xxxapada na Tromba”, um festival de grindcore em Lisboa, com a publicação do primeiro número.

Trata-se, tanto quanto se conseguiu apurar, da segunda série de fanzines a ostentar esse título, tendo a primeira sido publicada entre 1997 e 2002.

A atual série foi criada por Sandro Ferreira. Ao longo dos zines, tem criado histórias com 3 personagens denominadas Pilhas, Talochas e Robalita, as quais são inspiradas em pessoas que conhece de concertos e envolvem sempre bandas que aprecia. Neste número 20, lançado no final de 2021, a banda em destaque é “Besta”.

Os que se cruzarem com o número 666 desta série, fiquem a saber que, na realidade, se trata do Olho do Cu #6. “Saiu quando o meu filho Átila nasceu, em 2017“, revela Sandro Ferreira.

Por vezes, o zine é “acompanhado com brindes, tais como, um íman com um olho do cu para afastar o mau olhado [risos], uma cortesia da Loja do Caralho nas Caldas da Rainha, uma pagela com uma santinha e uma oração, piri-piri caseiro, um calendário, um chapéu com o logo do zine e dois CD com bandas que não existem «Não abras mais que já entra!» Vol. 1 e 2“, explica Sandro Ferreira.

Para além dos 20 números do zine, houve 2 edições extra. Um deles é o “número um e meio, que é só uma folha A3“, explica Sandro Ferreira.

O outro é uma publicação extra, não numerada, denominada O Salteador de Caralhos …e outras histórias. Lançado em 2021, “foi para mim uma forma de promover o Carcassa e brincar um bocado aos editores“, explica Sandro Ferreira. “A frase «Olho do Cu Comics Group apresenta» é a que a Marvel tem nas suas revistas” [risos]. “Esta edição deu-me ideias para talvez publicar uma compilação de algumas histórias que aparecem no fanzine, mas sem grandes pretensões. Não sou editor, gosto de espalhar magia. E talvez saia uma edição limitada da compilação de todos os números até ao 20 numa única edição. Está na calha. Tudo isto por pura diversão“.

Existe também material extra inédito. “O único extra que ainda está por sair é um fora de série que sairá na «revista i.e.» dos alunos de artes gráficas do Politécnico de Tomar“.

Os fanzines reúnem pranchas e ilustrações de alguns colaboradores regulares e não regulares “que são torturados até enviarem algo para publicar. A periodicidade é quando me apetece, quando tenho tempo e quando há festivais de metal“, afirma Sandro Ferreira. “Qualquer festival é sempre motivo para sair mais um número“.

Quanto às suas influências e objetivos com esta série de fanzines, Sandro Ferreira refere que “como sou filho da revolução, nascido em 1975, bebi muito Vilhena – Gaiola Aberta -, João Benamor – Olho Vivo – e muita outras coisas que existiram nessa altura. Como um fanzine que se preze, serve como primeiro propósito criar um espaço de criatividade sem barreiras nem regras apertadas. Tento não incluir politica nas páginas“.

Clique nas imagens do miolo do Olho do Cu #20 para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse:

Este número 20, é dedicado ao Natal, mas não completamente. A capa é do Carcassa, colaborador regular, com um traço muito bom e um humor corrosivo, como se pode ver na prancha no interior. Na contracapa, temos o Maike Bispo, ilustrador brasileiro a viver em Vila Nova da Barquinha.
No interior, para além de mim, conto com as seguintes colaborações: Diego Gomes, Lard, Prina, Derradé, Rick, Pablo Carranza, Ivor Tischler (uma promessa com 12 anos), Sal, Rolim e Domi.
Capa a cores em papel 200g mate e miolo em papel 80g branco.

Os leitores interessados devem contactar o criador via a página do fanzine no facebook. Entretanto, Sando Ferreira deixa o aviso – “já preparo o número 21“.

Olho Do Cu #20
vários autores, coord. Sandro Ferreira
Olho do Cu Comics Group
Páginas: 32, a preto e branco
Encadernação: agrafes
Dimensões: 14,85 x 21 cm
PVP: 3,00€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.