De Thierry Joor e Gradimir Smudja.

Dezanove anos depois, Gradimir Smudja torna a ser editado no nosso país. Se em 2003 era publicada em Portugal a sua banda desenhada Vicent e Vang Gogh (à qual o autor regressaria em 2010 para um segundo tomo, inédito no nosso país), desta feita regressa com uma obra integral com argumento assinado por Thierry Joor.

Trata-se do díptico Mausart, compilando a edição nacional os álbuns Mausart e Mausart em Veneza, originalmente editados pela francesa Delcourt, respetivamente em 2018 e 2019. Estes dois trabalhos são as mais recentes obras de ambos os autores em banda desenhada, sendo de congratular a editora nacional por manter o título francês, dada a impossibilidade de traduzir o trocadilho fonético entre Mausart (evocador de “maus”, palavra alemã para “rato”) e o nome do compositor austríaco (Wolfgang Amadeus) Mozart.

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Eis a sinopse da editora:

MAUSART
Mausart e a família vivem dentro do piano do músico oficial da corte do rei da Áustria, o lobo Salieri. Uma manhã, Mausart apercebe-se de que a casa está vazia. É uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar, e ele salta para as teclas do piano, criando um maravilhoso trecho musical… Quis o acaso que o trecho chegasse aos ouvidos do rei e da rainha, que exigem voltar a ouvi-lo! Para conservar o seu lugar na corte, Salieri vai ter de deitar a mão ao ratinho e obrigá-lo a executar a ária sem que suas majestades desconfiem do embuste…

MAUSART EM VENEZA
Não há muito tempo, Mausart e toda a sua família ainda viviam dentro do piano do músico oficial da corte do rei da Áustria. Mas a recente fama do ratinho veio agitar o seu quotidiano e obrigá-lo a viajar um pouco por toda a Europa, muito para lá dos confins de um simples teclado de piano. De tal forma que termina hoje uma digressão a Itália. A sua última apresentação leva-o a Veneza na altura em que se anuncia o Carnaval…

Thierry Joor (argumentista) nasceu em Bruxelas em 1961. Reside na Bélgica e em Paris. Ligado desde sempre à banda desenhada e caçador de autógrafos desde os onze anos, já publica fanzines antes de ingressar na École Supérieure des Arts Saint-Luc, em 1989. Mas o bichinho da edição é mais forte que o do desenho e, ainda estudante, cria um novo fanzine, o Kaput, que reúne uma seleção de histórias de antigos alunos mas também dos seus companheiros de ateliê. Em 1984, juntamente com o irmão, cria uma estrutura editorial batizada Les Éditions du Lion, com a qual publica edições de luxo de Franquin e de Hermann, bem como obras coletivas inspiradas nas personagens de Spirou e, depois, de Tintin. Em 1987, após a falência do seu distribuidor francês, abre, em Bruxelas, a livraria e galeria Sans Titre. Em 1998, na sequência da publicação da sua autobiografia (Le Monde est petit), editada por ocasião dos dez anos da sua atividade de livreiro e galerista, inicia uma colaboração com Guy Delcourt na qualidade de diretor de coleção. Em março de 2003, torna-se editor das Éditions Delcourt. Em 2004, Guy Delcourt propõe-lhe tornar-se diretor literário da sua editora. Atualmente, é editor de numerosas séries de sucesso, como Les Légendaires, La Rose Écarlate, Les Blagues de Toto, Okko, Sillage (primeiros volumes da série editados pela Vitamina BD em Portugal entre 2001 e 2004, com o título Senda) ou Centaurus. Mausart é o seu primeiro argumento profissional.

Gradimir Smudja (argumentista, ilustrador, colorista) nasceu em Novi Sad, na Jugoslávia, em julho de 1954. Emigra para a Suíça no início dos anos 1980. Aí, exercita o seu pincel ao serviço de um galerista, para quem reproduz telas dos grandes mestres do Impressionismo. Autêntico faz-tudo, executa cópias, trabalhos sobre tela e madeira e caricaturas antes de conseguir um lugar de professor de desenho na cidade de Lucca, em Itália. O seu Vincent e Van Gogh (primeiro volume editado pela Witloof, em 2003) é um projeto antigo que lhe é particularmente querido e em que Smudja revela toda a extensão do seu talento, imitando na perfeição algumas das telas que marcaram a vida e imortalizaram o nome de Van Gogh. Mas essa cópia do trabalho do génio holandês não é uma simples representação técnica nem um mero exercício de estilo; é, acima de tudo, uma homenagem a Vincent feita por um pintor. A sua interpretação muito pessoal da história de Van Gogh, que parte do princípio de que a genialidade do pintor holandês se deve simplesmente ao seu gato, relata o percurso desse génio incompreendido com tanto humor como talento. Em 2004, é publicado Le Bordel des Muses (Delcourt), onde se dedica a outro monumento da pintura, Toulouse-Lautrec.

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Mausart (edição integral)
THIERRY JOOR, GRADIMIR SMUDJA
Editora: Arte de Autor
Páginas: 88, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 232 x 310 mm
ISBN: 978-989-9094-08-6
PVP: 25,00€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.