As 5 obras lançadas no último trimestre.

No ano em que o zine Mesinha de Cabeceira comemora os 30 anos de existência, a Chili Com Carne tem-se mostrado bastante ativa na edição de novos números. Nos últimos meses, editou mais 2 números, totalizando em 9 os número do zine editados em 2022. Paralelamente, editou mais 2 livros, o mais recente de Nunsky e a obra vencedora do concurso Toma Lá 550 paus e faz uma BD 2022, bem como coeditou uma obra de banda desenhada com texto e ilustrações realizadas com recurso a software de inteligência artificial.

Companheiros da Penumbra – Nunsky

O portuense Nunsky, autor de Espero chegar em breve (MMMNNNRRRG, 2016), Nadja – Ninfeta Virgem do Inferno (MMMNNNRRRG, 2015), Erzsébet (Chili Com Carne, 2014) e Mesinha de Cabeceira #13: 88 (Chili Com Carne, 1997), regressa com um novo livro de banda desenhada, intitulado Companheiros de Penumbra.

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Eis a sinopse da editora:

Companheiros da Penumbra é um livro gigantesco que marca o regresso de Nunsky à Banda Desenhada, desta vez, em modo de memória flutuante para relatar um período específico de uma tribo específica no Porto. Falamos da cena Gótica dos anos 90 em envolvia sobretudo as festas no Heaven’s. 
Todas estas pessoas, com um ou outro nome, existiram, sonharam e viveram num Porto “podre”, sombra caricatural de uma cidade europeia, que sonhava com a promessa do novo milénio. Filhos bastardos de um tempo menos distante do aos olhos românticos parecia, de uma Northampton ou Londres ida e de uma Los Angeles decadente que nunca existiu senão nas mentes dos rejeitados que vomitou para as margens da história. Empregados de mesa e armazém que ao cair da noite – qual Bruce Wayne – se transformavam em Lordes Vitorianos, meninas confusas que queimavam na “má vida” o grito que os seus pais acreditavam investir numa educação de excelência, adolescentes que encontravam na escuridão da noite o manto protetor para as suas angustias e a garantia de um alter-ego suficientemente forte para resistir à porrada da vida, esbarrando-se com adultos com síndrome de Peter Pan, que reforçavam obstinadamente o universo de fantasia, rejeitando, com um magnânimo pirete o que comumente reconhecemos como “mundo real”.

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Companheiros da Penumbra
NUNSKY
Editora: Chili Com Carne
Páginas: 300, a preto
Encadernação: capa mole com badanas
Dimensões: 19 x 26 cm
PVP: 20,00€


Mesinha de Cabeceira #37: Forceps – Ricardo Paião Oliveira

O início do webcomic Forceps de Ricardo Paião Oliveira publicado no site Bandas Desenhadas conheceu a sua versão em papel no Mesinha de Cabeceira #37. Caso estejam curiosos em ler a continuação (incluindo animações), confiram este link.

Eis a sinopse da editora:

Este é o número do Mesinha de Cabeceira que comemora de vez os 30 anos de actividade deste fanzine. E é um prazer poder publicar Forceps de R. Paião Oliveira em formato físico – originalmente foi publicado em linha no sítio bandasdesenhadas.com – com a sua estética Arcade 8bit embrenhada em tecno-misticismo patchouli. Uma BD selvagem mesmo que cada pixel seja trabalhado horas sem fim pelo autor, de forma obsessiva e desgastante, ultrapassando a máquina para criar uma parábola que só os mutantes do futuro irão venerar. RPO é mais um artista que mostra como a cena da BD portuguesa está viva, com ideias e projecção internacional ao ser publicado na Kuti #65, publicação de referência com estadia em Helsínquia. Foi para isto que o Mesinha foi criado. Foi para isto que o MdC continua a ser publicado. Obrigado RPO!

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Mesinha de Cabeceira #37: Forceps
RICARDO PAIÃO OLIVEIRA
Editora: Chili Com Carne
Páginas: 36 páginas, a cores
Dimensões: 17 x 26 cm
Encadernação: agrafado
PVP: 8,00€


Fastwalkers – Ilan Manouach

Fastwalkers, da autoria do grego Ilan Manouach, é anunciada como a primeira Banda Desenhada sintética escrita e desenhada por uma Inteligência Artificial.

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Eis a sinopse da editora:

A Chili Com Carne, com a 5me Couche e a Echochamber, têm o prazer de anunciar a publicação da primeira Banda Desenhada sintética escrita e desenhada por uma Inteligência Artificial, sob a batuta de Ilan Manouach. Este artista grego tem impressionado o mundo com CoCo (Conceptual Comics), pornografia para intelectuais, BD para invisuais e até ao The Guardian caiu-lhe o queixo com a edição do livro com a maior lombada de sempre. Agora é a vez de pôr a Inteligência Artificial a trabalhar em modo de Hentai num ensaio-espiral de deixar Foucault agitado na tumba. Fastwalkers é uma meditação não-linear sobre “deep learning” e que celebra a poesia inesperada da computação e que explora novas possibilidades de leitura. Obra nascida das experiências continuadas de Manouach sobre a abundância informática e as economias afectivas da BD, este selvagem e alucinogénico livro mostra textos e imagens totalmente produzidos por aprendizagem automática. Desde os inícios do século XIX, que a indústria da BD expandiu-se de forma simbiótica com o desenvolvimento da impressão, distribuição e tecnologias de comunicação. Sendo um médium altamente digitalizado, com comunidades activas em linha, a BD presta-se a processos de programação que definem a própria aprendizagem automática. Nos dias de hoje, estes processos sintéticos estão a modificar a forma como produzimos, consumimos, arquivamos e percebemos todos os media, incluindo a BD. Co-criado com a última IA (GAN, GPT-3) e desenvolvido com uma equipa de engenheiros informáticos e designers interdisciplinares, Fastwalkers é uma amalgama de diferentes comunidades de bases de dados, algoritmos de busca de marcas registradas, regimes de indexação, “beta testing” e modelos generativos. As ferramentas foram treinadas sob milhões de unidades de informação e corpos de texto para criar este livro. O resultado é uma paisagem semântica de camadas de ambiente cujas harmonias e dissonâncias revelam a mudança da natureza agregada do conhecimento na era do semiocapitalismo e ilumina as qualidades computacionais inerentes da BD para jogar com o espaço cognitivo do leitor.
Obra redigida em inglês, o seu lançamento oficial será para o Festival de Angoulême 2023 mas já chegaram exemplares a Portugal.

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Fastwalkers
ILAN MANOUACH
Editora: Chili Com Carne | 5me Couche | Echochamber
Páginas: 512, a cores
Encadernação: capa mole
Dimensões: 24 x 30 cm
PVP: 50,00€


Sinapses – Ivo Puiupo

Sinapses, da autoria de Ivo Puiupo, venceu o concurso Toma lá 500 Paus e faz uma BD! de 2022, tendo lançamento simultâneo em língua portuguesa através da Chili Com Carne, bem como em inglês com a Kuš!

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Eis a sinopse da editora:

Sinapses do Ivo Puiupo é o novo volume da Mercantologia, colecção que recupera material perdido. Serão 12 bandas desenhadas curtas com poesia ou serão 12 poemas com desenhos sequenciados?
Há uma tentação de entender as histórias aqui como fazendo parte, alternadamente, de: 1) um diário; 2) registros de sonhos; 3) ideias para um filme. Decidimos uma vez por um e depois por outro mesmo sabendo que não é necessariamente uma coisa nem outra, nem apenas isso. Mas há alguma coisa de íntimo, como um diário, e há um prazer nas associações que se desenrolam, as ambiguidades e o aspecto sensorial dos sonhos. E há às vezes a imediatez de quem registra. Só que não é só isso. É mais que isso porque são o que são, obras acabadas, mesmo que não pareçam encerradas. É como uma estrutura no ar ainda com o processo nu, transparente. Mas são verdadeiras pontes nos transportando para lugares desconhecidos, Puiupo na frente. Cada ponte, várias possibilidades de história, de literatura, de imagem e de gente.  Provavelmente por isso podem parecer fragmentos de diário ou de sonhos, porque a matéria-prima dessas pontes (sinapses? Ou o que permite informação passar de uma célula a outra) é, basicamente, gente, essa coisa feita de sonhos. É realmente um livro feito de pessoas. Se comunicando, se desdobrando e se tocando. Transpondo pontes, ligando possibilidades ainda desconhecidas. No meio de cada conto, podemos olhar para trás e imaginar de onde ele veio e para onde vai, como uma estrutura expansível que atravessa mais do que o que vemos. Podemos imaginar o que acontece antes do começo e depois do fim. Não é difícil imaginar também que estamos flutuando, como uma ponte às vezes nos faz imaginar. No meio da travessia, de repente achei que estava assistindo a uma coleção de curta-metragens, com uma trilha sonora adequada, uma coleção de trilhas sonoras que viraram filmes. E esqueci da ponte, ou seja, lá onde estava e tudo virou um fluxo me levando, que é aquele momento em que eu me esqueci que devia escrever algo sobre o livro e tive que refazer todo o caminho de volta para me lembrar o que estava fazendo ali. Que é o que um diário/ sonho/ filme deve fazer com a gente. Nos desorientar. – Fábio Zimbres

Ivo Puiupo nasceu em Lisboa (1996) mas reside atualmente em São Paulo. Começou sua trajetória na BD em 2011 e participa da cena luso-brasileira de fanzines desde então. O seu trabalho já foi publicado em antologias, revistas e livros solo na América Latina, EUA e Europa, trabalho esse que habita as fronteiras da narrativa sequencial desenhada-escrita e mescla-se com pintura, fotografia, produção de atelier e, por vezes, torna-se também contra-sequencial.  Em 2018, participou do projeto de residência artística Revista Baiacu, sob curadoria de Laerte e Angeli, sediado pelo instituto Hilda Hilst em parceria com o SESC São Paulo. Em 2019, foi o vencedor do concurso de publicações Des.gráfica, premiado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) São Paulo pelo livro Óbice, o qual, posteriormente, foi também publicado pela editora argentina Waicomics. Além das publicações e fanzines, Puiupo também atua como ilustrador em projetos tais como a edição brasileira do clássico “Ilha do Tesouro” publicado pela editora Antofágica, a capa do álbum “who told you to think??!!?!?!?!” do rapper e poeta americano R.A.P. Ferreira e diversos artigos para plataforma Narratively. Puiupo faz parte do selo editorial / conglomerado empresarial Pepito Corporation e publica-se através do mesmo, ao lado dos artistas da jovem-guarda brasileira Adônis Pantazopoulos, Julia Balthazar e Flavushh. Também faz parte do coletivo de arte contemporânea BASA, sob mentoria do curador Lucas Velloso. Por vezes, também flerta com produção musical no duo Fuga. 

Sinapses
IVO PUIUPO
Editora: Chili Com Carne
Páginas: 116, 48 das quais a cores
Encadernação: capa mole
Dimensões: 15 x 21 cm
PVP: 12,00€


Mesinha de Cabeceira #38: Diário da Palavra – Rodrigo Villalba

O último Mesinha de Cabeceira comemorativo do seu 30.º aniversário é Diário da Palavra, da autoria de Rodrigo Villalba, o qual reúne as pranchas anteriormente publicadas online.

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Eis a sinopse da editora:

É o Mesinha de Cabeceira #38 (#1 do vol. XVII), mais um número a comemorar os 30 anos de existência do fanzine, desta vez todo a cores num formato quadrado 12x12cm. Trata-se de um exercício de escrita desenvolvido durante o estágio profissional não-exploratório do autor, pela Escola Superior de Artes e Design, entre Março e Abril de 2022, em que todos os dias, o autor recebia uma palavra para activar a sua memória e os músculos da narração. É um diário tão labiríntico como a nossa mente, que nos mente sempre, ou será uma armadilha para gozar com os millennials?

Mesinha de Cabeceira #38: Diário da Palavra
RODRIGO VILLALBA
Editora: Chili Com Carne
Páginas: 40 páginas, a cores
Dimensões: 12 x 12 cm
Encadernação: agrafado
PVP: 4,00€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.