As 2 primeiras novidades da Ala dos Livros em 2023

As 2 primeiras novidades da Ala dos Livros em 2023

A Menina Baudelaire e o final de Mattéo.

A Ala dos Livros iniciou o ano editorial de 2023 com o lançamento de 2 obras franco-belgas. A banda desenhada Menina Baudelaire, da autoria do autor belga Yslaire e originalmente publicado pela editora belga Dupuis na sua coleção Aire Libre em 2021, é um one-shot. Quanto a Mattéo: Sexta Época (2 de Setembro de 1939 – 3 de Junho de 1940) é o sexto e último livro desta série da autoria do francês Jean-Pierre Gibrat, originalmente publicado pela editora francesa Futuropolis em 2022.

Menina Baudelaire

Senhora Aupick,
A vós, que me perguntais quem sou, posso dizê-lo. Mas, correndo o risco de parecer orgulhosa, nenhum leitor de ‘As Flores do Mal´ esquecerá a Vénus negra de Charles Baudelaire, a musa imoral, amaldiçoada, do maior dos poetas malditos. Sim, sou eu, a bela tenebrosa, a cara indolente, que caminha a compasso, bela de requebros, como uma serpente que dança…”
Jeanne Duval foi a narradora escolhida por Yslaire para, através de uma carta imaginada, nos fazer mergulhar no percurso da vida de Charles Baudelaire – um dos escritores franceses mais importantes do século XIX e um dos percursores do simbolismo – e na relação deste com a sua musa inspiradora. De Jeanne, a mulher que o poeta mais amou e mais amaldiçoou, quase nada se sabe: as datas do seu nascimento e morte são incertas, tal como incerto é o seu apelido, ou até mesmo a sua origem – provavelmente crioula.  Resta uma foto de Nadar não autenticada, retratos desenhados por Baudelaire, e sobretudo os poemas que ela lhe inspirou. A carta que Jeanne, a «Vénus negra», escreve à mãe do poeta é, pois, o ponto de partida escolhido por Bernard Yslaire para levar o leitor a descobrir uma relação complexa e apaixonada, dura e sensual, destrutiva e luminosa, de amor e de ódio. Com Menina Baudelaire, que a Ala dos Livros agora apresenta em edição portuguesa, Bernard Yslaire assina a sua obra-prima da maturidade.

Yslaire, pseudónimo de Bernard Hislaire, nasceu em 1957 em Bruxelas. Argumentista e desenhador, inicia-se muito jovem na banda desenhada, no fanzine Robidule, ao mesmo tempo que frequenta a sessão de artes plásticas do Institut Saint-Luc, tendo colaborado na revista Spirou a partir de 1975. É para este semanário que assina, em “Bidouille et Violette”, uma série em 4 volumes que, ao narrar as histórias de dois adolescentes, se tornaria a primeira história de amor “melancómica” da BD franco-belga. Paralelamente, de 1980 a 1983 publicou vários “cartoons” no La Libre Belgique. Em 1985, muda completamente de registo gráfico, passa a usar o pseudónimo Yslaire, e cria, com Balac (aliás, Yann), “Sambre”, uma saga romântica que surge inicialmente na revista Circus e será publicada em álbum pela Glenát. A partir de 1987, novamente na Spirou, assina a série “Gang Mazda” (Dupuis). Paralelamente, foi cofundador do teatro de vanguarda Ideal Standard, e assegurou a comunicação gráfica do Théâtre Impopulaire e do Rideau de Bruxelles. A sua participação artística estendeu-se ao cinema (tendo trabalhado com os realizadores Jaco Van Dormael e Didier Roten), ao teatro (onde colaborou com Jacques Neefs e Alain Populaire) e às cenografias públicas (com o arquiteto Francis Metzger). Entre 1997 e 2000, com a ajuda da psicanalista Laurence Erlich, Yslaire produziu e dirigiu uma das primeiras séries web, “Mémoires du XXe ciel”. A História é adaptada para banda desenhada sob o título de XX Ciel.com, com dois finais alternativos. Le Ciel au-dessus de Bruxelles (2006-2007) confirmará as questões do autor sobre a História e a sua cobertura mediática, tal como o seu gosto pelo diálogo plástico com a fotografia e o digital. Em 2009, Yslaire assina com o escritor Jean-Claude Carrière, Le Ciel au-dessus du Louvre, uma evocação de uma pintura inacabada do pintor David. Como extensão do livro, totalmente desenhado em formato digital, Yslaire expõe no Museu do Louvre “quadros videográficos”, onde os seus esboços são autodesenhados em telas, em tempo real. A cenografia dá a volta ao mundo, acompanhando uma exposição coletiva. Em 2012, com Laurence Erlich, criou e dirigiu a Úropa, uma revista digital pioneira na área. Sendo uma mistura de ficção política sobre a Europa de 2032, composta por artigos, fotos, vídeos e banda desenhada, o projeto questiona o nosso futuro num misto de imaginário e real. Yslaire regressa à editora Dupuis, em 2021, onde assina um álbum memorável na coleção “Aire libre”: trata-se de Menina Baudelaire (Mademoiselle Baudelaire, no original), no qual nos conta a história de amor frustrado entre o poeta Charles Baudelaire e sua amante Jeanne Duval, conhecida como a “Vênus Negra”. Soberbamente desenhado e narrado, este álbum foi objecto de uma edição de coleccionador nos 3 volumes dos Cahiers Baudelaire. A obra de Yslaire foi galardoada com quinze prémios internacionais e tem sido objeto de múltiplas exposições em várias galerias e museus internacionais, em cidades como Paris, Bruxelas, Tóquio, Praga, Seul, Taiwan, Barcelona, ​​​​Lausanne… Em 2009, o Ministério Francês da Cultura nomeou Yslaire Cavaleiro das Artes e das Letras e, em 2015, elevou-o ao posto de oficial. Yslaire é, desde 2017, presidente da Victor-Rossel Comics Academy.

Menina Baudelaire
YSLAIRE
Editora: Arte dos Livros
Páginas: 160, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 235 x 320 mm
ISBN: 978-989-9108-20-2
PVP: 32,00€


Mattéo: Sexta Época (2 de Setembro de 1939 – 3 de Junho de 1940)

Mattéo consegue evadir-se do forte de Collioure, mas terá de recorrer a antigas amizades para conseguir permanecer oculto e não ser novamente preso. Esta sua liberdade precária sofre, no entanto, um revés na altura em que o exército alemão ocupa o território francês. Estamos no início da II Guerra Mundial e as circunstâncias conjugam-se para que Mattéo se veja obrigado a sair do seu esconderijo para tentar salvar a vida do filho.
Mattéo – Sexta Época, que a Ala dos Livros edita em Portugal em março de 2023, é o último volume da série Mattéo, a aclamada e magistral obra assinada por Jean Pierre Gibrat que aborda os grandes conflitos de primeira metade do século XX através do destino singular de um homem que, da Guerra de 1914 à Segunda Guerra Mundial, passando pela Revolução Russa, a Frente Popular e a Guerra de Espanha, atravessará as primeiras décadas do século XX, uma época marcada por conflitos bélicos tumultuosos
Com esta Sexta Época, a Ala dos Livros encerra a edição em Portugal de Mattéo, uma série brilhantemente desenhada por Jean-Pierre Gibrat.

Atendendo a que a Ala dos Livros iniciou a série com o 3.º volume, devido aos primeiros 2 volumes de Mattéo terem sido editados pela VitaminaBD em 2009 e 2011, havia a questão se esses 2 volumes seriam ou não reeditados pela Ala dos Livros. “Tanto quanto sabemos, os livros 1 e 2 ainda se encontram disponíveis no mercado“, esclarece o editor Ricardo M. Pereira. “Assim, não tem sido nossa prioridade tomar uma decisão em relação à reedição destes dois  livros. O formato e acabamento das nossas edições é igual ao das edições anteriores, podendo, por isso, os leitores que já tinham os tomos iniciais completar a coleção nos mesmos moldes em que a tinham iniciado. Isto significa que não está, até ao momento, tomada nenhuma decisão em relação a estes dois livros. No entanto, e a verificar-se uma reedição, não será em 2023“.

Jean-Pierre Gibrat nasceu em Paris em abril de 1954. Depois de ter estudado grafismo publicitário e artes plásticas, inicia-se na banda desenhada em 1977, desenhando várias histórias curtas para a revista Pilote, as quais, em 1980, seriam compiladas no álbum “Visions Futées” (que conta com argumento de Éric Simonet, Jackie Berroyer e J.P. Gibrat). Em 1978, edita “Le petit Goudard”, uma série com argumento de Jackie Berroyer que mais tarde será compilada pela Dargaud em cinco álbuns. Paralelamente, Gibrat publica outros trabalhos em publicações como o “Le Nouvel Observateur”, “L´Événement”, “Science et Avenir” e as revistas infantis “Je Bouquine” e “Okapi”. Para esta última, realiza « Médecins Sans Frontières », com argumento de Gui Vidal e Dominique Leguillier. A partir dos anos 90 a obra de Gibrat regista uma tendência mais adulta, incluindo-se nesta fase as obras “Pinocchia” (1995, com argumento de Francis Leroi )  e  “Maré Baixa” (1996, com argumento de Daniel Pecqueur). Com a publicação de “Destino Adiado” (1997) e de “O Voo do Corvo” (2002), Jean-Pierre Gibrat passa a assinar o argumento das suas próprias histórias, o que volta a suceder na aclamada série Mattéo (cuja publicação foi concluída em França no final de 2022).

Mattéo: Sexta Época (2 de Setembro de 1939 – 3 de Junho de 1940)
JEAN-PIERRE GIBRAT
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 80, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 235 x 310 mm
ISBN: 978-989-9108-23-3
PVP: 22,90€

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