Lendas Japonesas

Lendas Japonesas

lendas japonesas

José Ruy adapta à banda desenhada a obra de Wenceslau de Moraes em Lendas Japonesas.

Durante o XVIII Festival internacional de Banda Desenhada de Beja (FIBDB), é lançada a obra de banda desenhada Lendas Japonesas, da autoria de José Ruy, baseada na obra de Wenceslau de Moraes.

A 18.ª edição do FIBDB é a primeira que se realiza após o falecimento de José Ruy (9 de maio de 1930 – 23 de novembro de 2022). Para além do lançamento desta obra póstuma pela Polvo, o Festival tem também patente uma exposição do seu trabalho nesta banda desenhada, a qual pode ser visitada até ao último dia do Festival, dia 18 de junho.

lendas japonesas

Recorde-se que Wenceslau José de Souza de Moraes (1854-1929) – na ortografia atual, Venceslau José de Sousa de Morais -, foi um escritor português que elaborou diversos livros sobre assuntos ligados ao Oriente, em especial o Japão, editados entre o final do século XIX e a década de 30 do século passado. José Ruy inspirou-se na sua obra para elaborar este livro de banda desenhada de 64 páginas.

José Ruy é um dos mais reconhecidos e importantes autores da banda desenhada portuguesa, com vastíssima obra produzida.
Estas suas Lendas Japonesas baseiam-se em diversas lendas dispersas pela obra de Wenceslau de Moraes, autor de vários livros sobre assuntos ligados ao Oriente, em especial o Japão, onde viveu por 33 anos. A elas José Ruy dedicou especial carinho e atenção desde a sua criação, em 1949, para as páginas d’O Papagaio.
Tal como Moraes, José Ruy é um excelente narrador. Os seus dotes naturais contam com vivacidade, ternura, poesia e também um certo dramatismo, onze deliciosas lendas tradicionais nipónicas, realçando temas como a alma japonesa, o budismo, o amor, a arquitectura religiosa, alguns coloridos exotismos ou a fantástica paisagem do país. Em cada lenda deste livro há sempre uma chamada de atenção, uma perspicácia ou um erro humano posto a descoberto, mas há também aquelas emoções vulgares de que a vida normalmente se alimenta.

José Ruy Matias Pinto nasceu a 9 de maio de 1930, na Amadora. Cursou Artes Gráficasme habilitação a Belas-Artes na Escola António Arroio, em Lisboa. Aos 14 anos estreou-se na revista O Papagaio. A partir daí a sua presença (e o seu traço) foi transversal a uma boa parte das revistas portuguesas de banda desenhada: colaborou, entre outras, com O Mosquito, Camarada, Pisca-Pisca, Cavaleiro Andante, Tintin, Spirou, Mundo de Aventuras, Selecções BD… Viu serem-lhe publicados mais de oito dezenas de álbuns, cerca de meia centena e meia dos quais em banda desenhada. Apaixonado pela biografia histórica e pelos clássicos, boa parte da sua obra foi dedicada à sua adaptação à banda desenhada: Ubirajara, O Bobo, Fernão Mendes Pinto e a sua Peregrinação, os Autos das Barcas ou Os Lusíadas são alguns dos seus trabalhos mais emblemáticos. Há duas características na obra de José Ruy que constituem a sua imagem de marca: um rigor absoluto na investigação e um entusiasmo enorme pela banda desenhada. Foram-lhe atribuídos mais de duas dezenas e meia de prémios e distinções. Expôs em vários países da Europa, na China, no Japão e no Brasil. Em 1990, foi o primeiro autor a ser galardoado com o Prémio de Honra do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. No ano seguinte foi distinguido com a Medalha Municipal de Ouro de Mérito e Dedicação da sua cidade natal, onde o seu nome está ainda atribuído a uma escola e a uma avenida. Faleceu a 23 de novembro de 2022 na sua Amadora. Contava 92 anos e ainda produzia. É um dos Maiores autores portugueses de banda desenhada.

Wenceslau José de Sousa Moraes nasceu a 30 de maio de 1854, em Lisboa. Foi oficial da marinha, mas a sua grande propensão era escrever. Em 1888 chega a Macau e aí teve uma relação com uma chinesa, da qual nasceram dois filhos. Numa comissão de serviço, em 1889, foi ao Japão e ficou sensibilizado com a exuberância da paisagem, da arte, do apurado sentido da dignidade e da honra, do seu culto e da delicadeza das mulheres. Mais tarde, em 1898, instala-se na cidade japonesa de Kobe como cônsul de Portugal, onde contrai matrimónio com uma formosa gueixa, O-Yoné, tendo sido ela, talvez, a responsável pela sua entrega à escrita e à descrição do Japão. Mas O-Yoné, de saúde débil, faleceu e o desgosto do escritor foi imenso. Em Kobe viveu 33 anos, até ao seu falecimento. A par da sua atividade diplomática intensa, que exerceu por 15 anos, estudou a civilização japonesa para melhor compreender o que via e experimentava, tornando-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente e partilhando com os leitores nacionais experiências íntimas do quotidiano japonês, como se fosse natural do país. Em 1964, Kobe erigiu-lhe um busto. Na década de 1990, livros escolares reproduziam ainda o retrato e alguns textos seus. Uma grande editora japonesa editou, em 1969, as obras completas de Wenceslau de Moraes, que rapidamente esgotaram. Alguns livros do autor: Traços do Extremo Oriente, Dai- Nippon, Cartas do Japão, O Culto do Chá, A Vida Japonesa, Relance da História do Japão, Serões no Japão e Relance da Alma Japonesa. É o único português a quem os japoneses dos dois sexos rezam sutras, na festa dos mortos, Bon-Odori, que o escritor tão bem descreve num dos seus livros. Faleceu a 1 de julho de 1929, em Tokushima, aos 75 anos.

Lendas Japonesas (baseada na obra de Wenceslau de Moraes)
JOSÉ RUY
Editora: Polvo
Páginas: 64, a cores
Encadernação: capa dura
ISBN: 978-989-9084-01-8
PVP: 16,90€

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