Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição: Os Vencedores

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição: Os Vencedores

Os Vencedores dos Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição.

Os Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição têm por fim promover anualmente a banda desenhada produzida e editada em Portugal, através da distinção dos melhores lançamentos editoriais de autores nacionais e estrangeiros.

As nomeações das obras concorrentes aos Prémios Bandas Desenhadas têm uma particularidade – são realizadas ao longo do ano, cada uma delas correspondendo a um trimestre editorial, formalmente designado pela estação do ano que vigora na maioria do seu período. Deste modo, ao longo de cada ano, são anunciadas as Nomeações de Inverno, de Primavera, de Verão e de Outono (antropomorfizadas por Daniel Maia e Susana Resende), bem como as finais Nomeações Extemporâneas, as quais contemplam obras avaliadas pelos jurados após o anúncio das nomeações do trimestre a que as mesmas digam respeito. Deste modo, assegura-se a possibilidade de contemplar obras que, por questões de acessibilidade ou de outra ordem logística, são alvo de apreciação após o trimestre em que foram publicadas.

Tendo o nosso Observatório identificado a edição de mais de 400 publicações de banda desenhada em 2023, graças ao trabalho desenvolvido ao longo do ano pelo nosso site, a quase totalidade foi alvo de leitura atenta, sendo essa apreciação de tantas obras pelos jurados uma das características fundamentais que o distingue de outros prémios atribuídos em Portugal na área da Banda Desenhada. Coube a elementos da equipa nuclear do site, com experiência prévia enquanto jurados na premiação de obras de banda desenhada, lutar contra o habitual binómio gosto/não gosto, que é tão frequente no meio, optando por ter em conta critérios relacionados com a natureza narrativa e gráfica das obras, tais como a execução, originalidade, pertinência e novidade do tema ou meios utilizados, entre outros.

Ao realizar apenas uma nomeação por categoria em cada trimestre, o júri congratulou-se com a existência do debate gerado internamente em cada uma dessas ocasiões, dado nalgumas categorias existir mais do que um candidato forte. Tal foi ainda mais exigente para a seleção de vencedores, com o confronto dos escolhidos nas diferentes Estações do Ano de 2023. A visualização da listagem de todas as obras nomeadas aos Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição pode ser realizada aqui.

Entretanto, após 5 anos de organização dos Prémios Bandas Desenhadas, já foi anunciado que a 6.ª edição dos Prémios trará diversas novidades quanto à estruturação dos mesmos, apesar de continuar a manter-se fiel ao espírito com que os Prémios foram criados. Estas alterações serão anunciadas em breve, mas podemos adiantar que uma das modificações será a alteração dos elementos que constituem o júri, o qual passará a contar com um maior número de jurados. Mas deixaremos essas questões para uma posterior divulgação.

Sem mais delongas, apresentamos os Vencedores das obras publicadas em 2023. Relembramos que ao realizar apenas uma nomeação por categoria em cada trimestre, como vários autores e editores nos têm apontado, está-se na verdade a eleger o “vencedor” de cada trimestre. Tal não deixa de ser verdade e, mais do que nunca, nunca os Nomeados estiveram tanto de parabéns como com estes Prémios. Cada um representa o Melhor do período em que foi considerado, “confrontando-se” os escolhidos pelas diferentes Estações do Ano nesta última seleção de vencedores.

MELHOR OBRA NACIONAL
MELHOR ARGUMENTO EM OBRA NACIONAL
MELHOR EDIÇÃO

A Passagem Impossível – José Ruy (Ala dos Livros)

Numa altura em que guerras e demais conflitos internacionais estão presentes nas preocupações do nosso quotidiano, a derradeira (?) BD póstuma de José Ruy, com a investigação detalhada a que o autor nos habituou, revela-se uma obra de esperança na humanidade, demonstrando que quando se estabelecem pontes e amizades com culturas diferentes, quando as abraçamos e nos sabemos adaptar a elas, uma viagem impossível pode-se tornar bem sucedida. Para além da obra ser galardoada com os Prémios de Melhor Obra e Melhor Argumento em Obra Nacional, os jurados distinguem-na também com a Prémio de Melhor Edição, atentando no trabalho que foi necessário desenvolver para que pranchas em diferentes fases de trabalho pudessem dar uma merecida unidade à obra.

MELHOR ILUSTRAÇÃO EM OBRA NACIONAL

Volta vol. 2: O Despertar dos Gigantes de Gelo – ilustração de André Caetano em obra com argumento de André Oliveira (Polvo)

Para este segundo volume da trilogia Volta, a mudança drástica de cenário obrigou André Caetano a se dedicar ao design de uma miríade de novos personagens, num processo gráfico de worldbuilding, repleto de novos ambientes. Mantendo a ponte com o volume anterior, o ilustrador realiza-o com mestria, revelando-se em plena forma, tão Campeão quanto o protagonista. Trata-se de uma obra que merece uma releitura atenta para admirar o trabalho meticuloso a que Caetano se dedicou.

MELHOR ANTOLOGIA

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição

Umbra n.º 4 – Filipe Abranches, Simon Roy, André Oliveira, Rita Alfaiate, Pedro Moura, Marco Gomes, Réza Benhadj, James Romberger (Umbra)

Entre as diversas antologias nomeadas, Umbra n.º 4, com trabalhos de Filipe Abranches, Simon Roy, André Oliveira, Rita Alfaiate, Pedro Moura, Marco Gomes, Réza Benhadj e James Romberger, é aquela que apresenta um maior conjunto de bandas desenhadas nas quais se evidencia o equilíbrio entre os seus argumentos e ilustrações. Trata-se da 3.ª vez que um número desta série antológica é galardoado nos Prémios Bandas Desenhadas, prova do mérito do projeto.

MELHOR BD CURTA EDITADA EM ANTOLOGIA

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição

“Páginas do Meu Diário” – Amanda Baeza (publicada em Carne para Canhão #1 – Chili Com Carne)

“Páginas do Meu Diário” narra, na primeira pessoa, a discriminação de que Amanda Baeza foi alvo no ano passado – os que desejarem saber mais sobre o assunto poderão ler o elucidativo artigo de Pedro Moura aqui. A autora demonstra, numa única prancha, o poder de síntese que se pode conferir à banda desenhada ao abordar essa questão de extrema relevância, que não deve ser jamais esquecida.

MELHOR OBRA ESTRANGEIRA

As Muitas Mortes de Laila Starr – Ram V, Filipe Andrade (G. Floy)

O que mais se destaca nesta obra, a qual lida com a morte – e a imortalidade -, é a plena sintonia em que o argumento de Ram e as ilustrações de Andrade se encontram, produzindo uma banda desenhada ímpar.

MELHOR ARGUMENTO EM OBRA ESTRANGEIRA

O Segredo da Força Sobre-Humana – Alison Bechdel (Relógio d’Água)

Bechdel continua a demonstrar o domínio da narrativa presente nas suas obras anteriores. Tendo como clickbait a imagem do fitness como mote para uma jornada de autodescoberta, rapidamente o leitor se depara com questões mais amplas e sérias, pontilhadas com ironia e humor.

MELHOR ILUSTRAÇÃO EM OBRA ESTRANGEIRA

O Grande Gatsby: A novela gráfica definitiva – ilustração de Jorge Coelho em obra com argumento de Ted Adams a adaptar a obra homónima de F. Scott Fitzgerald (A Seita)

Nesta obra, Jorge Coelho demonstra o domínio da composição das pranchas, evidenciando ainda um aturado trabalho de investigação para representar a época retratada, materializando a verosimilhança do subtítulo do editor. Por outro lado, cada vinheta está repleta de pormenores que recompensam uma leitura atenta.

MELHOR MANGA+

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição

A Espera – Keum Suk Gendry-Kim (Iguana)

Em primeiro lugar, saliente-se que o “+” da categoria Melhor Manga+ evidencia que esta categoria tem como elegíveis as obras produzidas não só no Japão (manga), mas em todo o continente asiático, englobando ainda obras de outras latitudes inspiradas na banda desenhada asiática. Curiosamente, na 5.ª edição dos Prémios Bandas Desenhadas, a obra galardoada é da autora sul-coreana Keum Suk Gendry-Kim. Esta narrativa, que aborda a separação de famílias, praticamente com caráter definitivo, durante a Guerra da Coreia, é contada de uma forma simultaneamente pessoal e sóbria, narrando acontecimentos que não devem ser apagados da nossa memória.

MELHOR OBRA DE HUMOR

Porra… Voltei! – Álvaro (Insónia)

Com a acutilância que lhe é conhecida, Álvaro realiza uma reflexão sobre a atualidade, que muitos dirão ser mais deprimente que humorística. Nesta obra de ficção científica, o autor utiliza um ser deslocado espaciotemporalmente para o confrontar – leia-se, confrontar o leitor – com aspetos da realidade portuguesa e/ou ocidental.

MELHOR BD INFANTIL

Turma da Mónica: Laços – Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi (A Seita)

Como as melhores obras infantis, Turma da Mónica: Laços pode ser lida por diferentes faixas etárias, as quais, certamente, descobrirão diferentes motivos de interesse na leitura desta banda desenhada que enaltece a amizade. Trata-se da primeira Graphic MSP dedicada a estes personagens criados por Mauricio de Sousa, a qual enriqueceu sobejamente este universo infantil, criado há mais de seis décadas.

MELHOR BD JUVENIL

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição

Mar Negro – Ana Pessoa, Bernardo P. Carvalho (Planeta Tangerina)

Trata-se de uma estória muito bem estruturada sobre a construção de identidade e as segundas escolhas no amor, com um planeamento gráfico a dar asas à imaginação na composição das páginas, resultando num argumento e ilustrações, entrelaçados da melhor forma possível.

MELHOR BD JUVENIL – MENÇÃO HONROSA

Crónicas de Enerelis vol. 5: Ilusões – Patrícia Costa (edição de autor)

Na 5.ª edição dos Prémios Bandas Desenhadas, é atribuída uma Menção Honrosa na categoria Melhor BD Juvenil a Crónicas de Enerelis vol. 5: Ilusões, da autoria de Patrícia Costa. A autora tem vindo a elaborar um detalhado universo, complexo e cativante, à semelhança das grandes obras literárias do género de fantasia. Trata-se de um excelente exemplo no que toca à questão do wordlbuilding.

MELHOR SÉRIE DE PUBLICAÇÕES

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição

Spirou: A Esperança Nunca Morre – Émile Bravo (ASA)

Bravo elabora uma trama deveras original, onde homenageia não só a criação de Spirou por Rob-Vel, como situa a ação na Segunda Guerra Mundial. Na verdade, a história de Spirou e do seu criador estão também intimamente ligadas a esta guerra, não só com o facto de Rob-Vel ter sido mobilizado para a mesma – sendo ferido e preso, o que levou à sua substituição na série até ser libertado -, mas também com a venda dos direitos do personagem à Dupuis quando o hebdomadário homónimo foi proibido de circular pelos nazis.

MELHOR REEDIÇÃO

Prémios Bandas Desenhadas 5.ª edição

The End of Madoka Machina – André Pereira (MASSACRE)

Esta obra não só compila num único livro a série de fascículos Madoka Machina, publicados pela Polvo entre 2015 e 2018, como inclui ainda uma BD publicada numa antologia em 2019 e conteúdo original, tendo o autor atualizado algum do material previamente publicado. Passados estes anos, a reedição desta narrativa futurista centrada em jovens urbanos semideprimidos era premente. A banda desenhada é ainda complementada por um posfácio do autor de interessante leitura.

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