Heróis Estrangeiros de Visita a Portugal II

E se o Aquaman fosse a banhos na ilha Terceira? Ou o Homem de Ferro trabalhasse para o bronze na Praia do Carvalho? O Jimmy Olsen andasse a coscuvilhar nos Açores? O Príncipe Valente cheirasse a maresia da costa portuguesa? A Lady S jantasse nas Docas? E o Huguinho, Zezinho e Luisinho comessem gelados junto à Torre de Belém?

Aqui vai uma segunda leva de heróis de banda desenhada que se atreveram a pisar território português, sendo o mais antigo de Janeiro de 1940.

Mais uma vez, sem carácter exaustivo, apresentarei brevemente algumas destas aventuras em Portugal, sem falar muito dos enredos ou desenhos, mas explicando cada visita ao nosso país em si.

E ao contrário do que fiz no primeiro artigo, neste incluo também heróis pouco ou nada conhecidos dos leitores portugueses.

A apresentação é feita por ordem alfabética do herói (quando este é conhecido) ou do título do livro onde surgem as suas aventuras (quando é menos ou totalmente desconhecido).

Vamos aos livros!

ALL-AMERICAN COMICS

All-American Comics (Volume 1) #46
Título: Sargon the Sorcerer – “Mission to Germany”
Argumentista: John B. Wentworth
Desenhador: Howard Purcell
Arte-finalista: Howard Purcell
Capa: Irwin Hasen
Editora: DC
Publicado em Janeiro de 1943

Neste comic, como era habitual naquela época, vários heróis, sem ligação uns com os outros, têm mensalmente as suas aventuras. No presente número, a aventura mais importante é a do Lanterna Verde original. Mas o herói que nos interessa é Sargon, o feiticeiro.

Sargon é o detentor do Rubi da Vida, uma pedra preciosa de enormes poderes que lhe permite o controlo absoluto sobre qualquer coisa ou qualquer pessoa.

Estamos em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. E, precisamente por isso, é estranho que Sargon, a residir nos Estados Unidos, receba uma carta cifrada proveniente de Berlim. A carta leva-o a viajar até Lisboa de modo a entrar na Espanha de Franco e daí passar a salto para França e Alemanha, onde se desenrolará a aventura.

A passagem por Portugal resume-se à primeira vinheta da página abaixo e, como se pode ver, poderia passar-se em qualquer outro lado do mundo.

AQUAMAN (VOL. 7)

Aquaman (Volume 7) #28
Título: “Triton”
Argumentista: Jeff Parker
Desenhador: Paul Pelletier
Arte-finalista: Sean Parsons
Colorista: Jeromy Cox
Capa: Paul Pelletier, Sean Parsons e Will Quintana
Editora: DC
Publicado em Abril de 2014

Aquaman (Volume 7) #29
Título: “Olympian”
Argumentista: Jeff Parker
Desenhador: Paul Pelletier
Arte-finalista: Sean Parsons
Colorista: Rain Beredo
Capa: Paul Pelletier, Sean Parsons e Will Quintana
Editora: DC
Publicado em Maio de 2014

Aquaman (Volume 7) #30
Título: “Fallen”
Argumentista: Jeff Parker
Desenhador: Paul Pelletier e Álvaro Martinez
Arte-finalista: Sean Parsons e Raúl Fernández
Colorista: Rain Beredo
Capa: Paul Pelletier, Sean Parsons e Rod Reis
Editora: DC
Publicado em Junho de 2014

Em Aquaman #28, enquanto Aquaman anda entretido a salvar um mergulhador de ser comido por tubarões e a comparecer com Mera na reunião do liceu, a sua arma mais poderosa, o tridente, é roubado.

Mesmo na última prancha desta aventura, descobrimos quem o roubou e para onde o levou. Um arqueólogo tem o tridente na Ilha Terceira nos Açores.

Em Aquaman #29, ficamos a saber que o “ladrão” é o Dr. Daniel Evans que tem um sítio arqueológico nos Açores. A poucas horas de ter de comparecer no conselho atlante, Aquaman envia Mera em sua representação e ruma para a Ilha Terceira.

Mas antes que consiga lá chegar, o professor Evans, utilizando o tridente, abre um portal interdimensional. Através dele, um bando de monstros invade a Ilha Terceira e ataca a multidão que assistia e a equipa de filmagens que acompanhava o acontecimento.

Na verdade, os monstros são inimigos ancestrais da Atlântida que tinham sido aprisionados numa outra dimensão. Entretanto, chega Aquaman e a luta tem início. Mas quando o Rei da Atlântida tenta recuperar o seu tridente, surge um novo e formidável oponente – um Hércules tresloucado.

Em Aquaman #30 temos o culminar da história. Hércules, completamente fora de si, atira Aquaman pelo portal.

Mas quando tudo parece perdido, o professor Evans consegue recuperar o tridente, fechando assim o portal. Nova batalha com Hércules; reabertura do portal; aprisionamento de Hércules e salva-se a Ilha Terceira.

AQUAMAN (VOL.8)

Aquaman (Volume 8) #14
Título: “The Deluge, Act Three”
Argumentista: Dan Abnett
Desenhador: Philippe Briones
Arte-finalista: Philippe Briones
Colorista: Gabe Eltaeb
Capa: Brad Walker, Andrew Hennessy e Gabe Eltaeb
Editora: DC
Publicado em Março de 2017

Aquaman (Volume 8) #15
Título: “The Deluge, Finale”
Argumentista: Dan Abnett
Desenhador: Philippe Briones
Arte-finalista: Wayne Faucher
Colorista: Gabe Eltaeb
Capa: Brad Walker, Andrew Hennessy e Gabe Eltaeb
Editora: DC
Publicado em Março de 2017

Aquaman parece gostar mesmo de Portugal e, muito especialmente, dos Açores.

Se no primeiro artigo de “Heróis Estrangeiros de Visita a Portugal”, o Rei dos mares já tinha mergulhado no Tejo com o Batman e na aventura anterior brindou a Ilha Terceira com a sua presença, agora é a vez da Ilha do Pico.

Em Aquaman (Volume 8) #14, Arthur Curry abdica do trono da Atlântida e desaparece para parte incerta, deixando a sua amada Mera para trás.

Entretanto, descobrimos que a base de operações da N.E.M.O. está sediada, temporariamente, na Ilha do Pico, mais precisamente em Ponta Alta (e não Ponta da Alta como se diz no comic). À cabeça da organização estão o Manta Negra e a Black Jack, responsáveis por manipular e influenciar os ataques a Aquaman e à Atlântida.

No final, Aquaman invade o navio da N.E.M.O..

Em Aquaman #15, dá-se o confronto em Ponta Alta.

Depois de uma luta feroz em que o Manta Negra é derrotado, este aciona o mecanismo de autodestruição do navio. Aquaman escapa no último minuto e, juntamente com o Super-Homem, vai à Casa Branca para assinar o tratado de paz com o presidente Barak Obama.

Na última prancha, vemos o estado calamitoso em que deixaram a zona de Ponta Alta.

Deixo aqui uma imagem antes de Aquaman e do Manta Negra passarem por lá.

CRACK COMICS

Crack Comics (Volume 1) #20
Título: Don Q – “Rudolph’s Oil Formula”
Argumentista: Vernon Henkel
Desenhador: Vernon Henkel
Arte-finalista: Vernon Henkel
Capa: Gill Fox
Editora: Quality Comics
Publicado em Janeiro de 1942

Das várias histórias que compõem este número 20 da Crack Comics, a que nos interessa é a protagonizada por Don Q.

Don Q é um cavalheiro aventureiro, meio espião meio diplomata ao serviço das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em Lisboa, a “cidade dos espiões”, um típico cientista louco, o Professor Rudolph, inventa uma fórmula substituta do petróleo e prepara-se para a vender à Alemanha. Mas os agentes alemães não estão dispostos a pagar e matam o cientista.

Tomando conhecimento da existência da fórmula, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico encarrega Don Q de se deslocar a Lisboa para a comprar.

Assim que chega ao aeroporto alfacinha, Don Q é interpelado, por acaso, pelos agentes inimigos e faz valer a sua fama de bom lutador.

Após dar conta dos agentes, Don Q apanha um táxi para o número 18 da Rua da Doca (fique lá isso onde ficar). O taxista tem um nome tipicamente português e responde por Pierre, utilizando com frequência a interjeição “oui” que, como se sabe, é bastante utilizada pelos taxistas da capital.

Depois de constatar que o cientista fora morto, Don Q engaja Pierre para pilotar um avião e partirem os dois no encalço dos agentes inimigos.

Quanto ao resto da história, como já não se passa em Portugal, aconselho que comprem o comic (que ainda deve estar à venda) para conhecerem o desfecho desta pérola do realismo.

CRACK COMICS

Crack Comics (Volume 1) #23
Título: Don Q – “President Orders Expulsion of 1200 Germans”Argumentista: Vernon Henkel
Desenhador: Vernon Henkel
Arte-finalista: Vernon Henkel
Capa: Gill Fox
Editora: Quality Comics
Publicado em Maio de 1942

Mais uma emocionante aventura do nosso agente secreto favorito, o Don Q.

Desta feita, o governo norte-americano ordenou a expulsão de 1200 alemães, deportando-os para a Alemanha a bordo do paquete Asturia.

Mas Don Q, após espancar selvaticamente um livreiro lisboeta (belos tempos em que se espancavam editores e livreiros), arranca-lhe a informação que, estranhamente, forças do Eixo vão capturar o paquete em alto-mar.

Dirigindo-se ao Consulado Britânico em Lisboa, Don Q pede permissão para interceptar o paquete por hidroavião. E quem melhor para o pilotar que o nosso alfacinha preferido, o pequeno Pierre que, entretanto, perdeu todos os dentes da frente com excepção de um. São as agruras da vida!

Quanto ao resto, já sabem. Se querem saber mais, comprem este número da Crack Comics. E se o anterior classifiquei de pérola, este é, com certeza, um diamante!

DANGER TRAIL

Danger Trail (Volume 1) #3
Título: King Faraday – “Thunder Over Thailand”
Argumentista: Robert Kanigher
Desenhador: Carmine Infantino
Arte-finalista: Joe Giella
Capa: Carmine Infantino e Joe Giella
Editora: DC
Publicado em Dezembro de 1950

Neste número de Danger Trail, o personagem que nos interessa é King Faraday, um ex-militar, agente secreto norte-americano, perito em combate corpo-a-corpo, herói da DC durante os anos de 1950. Em 1979 é integrado no universo DC e tem a sua primeira aventura com o Batman.

King Faraday está num café nova-iorquino quando assiste à queda de um homem de um arranha-céus. O morto traz com ele um pequeno brinquedo em forma de elefante.

No dia seguinte, um dos seus contactos no governo leva-o a assistir a um teste com uma bomba atómica, copiada de uns planos secretos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Mas informa-o que vários outros planos foram levados pelo Coronel Nego, um impiedoso oficial nazi. Que planeia algo contra os EUA e os seus aliados. E o homem que King Faraday viu morrer à sua frente no dia anterior era o Tenente Matt Taylor que andava no encalço do nazi.

A King é pedido que tome o lugar de Taylor e que viaje até Lisboa para falar com o contacto Wall Smith.

Quando chega a Lisboa, encontra Smith morto na cama do quarto e a única pista (novamente) é um pequeno elefante de brinquedo fechado na sua mão. De seguida, parte para a Índia com o intuito de falar com um terceiro contacto.

Mais uma vez, as imagens que retratam Lisboa poderiam ser de uma outra cidade qualquer.

DARING MYSTERY COMICS

Daring Mystery Comics (Volume 1) #1
Título: “The Rotterdam Run”
Argumentista: Charles Pearson
Desenhador: Charles Pearson
Arte-finalista: Charles Pearson
Capa: Alex Schomburg
Editora: Timely Comics (futura Marvel)
Publicado em Janeiro de 1940

O protagonista desta aventura é Barney Mullen, um personagem menor que teve aqui a sua primeira e última aventura.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em Lisboa, Barney Mullen é contratado para levar até Roterdão um carregamento de ouro. Mas isso levá-lo-ia por águas perigosas, povoadas por navios e submarinos inimigos. Barney ignora o perigo e aceita a tarefa. Mas no porto de Lisboa, um espião inimigo observa a partida do navio…

HIT COMICS

Hit Comics (Volume 1) #13
Título: G-5 Super Agent – “Assignment: Lisbon”
Argumentista: Cary Weyte
Desenhador: George Appel
Arte-finalista: George Appel
Capa: Lou Fine
Editora: Quality Comics
Publicado em Julho de 1941

Lisboa, Casino, Praça da cidade, cais de hidroaviões.

G-5 Super Agent apareceu em 16 histórias entre 1940 e 1941, chamando-se inicialmente X-5. E super-poderes não tinha nenhuns, mas lutava contra as forças do mal, nomeadamente agentes do Eixo. Foi criado pelo grande Will Eisner e Charles Sultan.

Ora aqui está uma aventura que até dá gosto, passada inteiramente em Portugal e, como é evidente, desenhada após uma apurada pesquisa por parte do desenhador George Appel.

E isso podemos constactar logo na primeira prancha. Durante a Guerra, Portugal é o único país livre da Europa e Lisboa o porto de abrigo de muitos refugiados que lutam por um visto americano. O agente G-5 viaja de hidroavião até à “Grande Alface”, fazendo-se passar por um fotógrafo jornalístico. À sua espera está o oficial de ligação da embaixada americana que o informa que seis agentes do Eixo conseguiram vistos americanos e corre-se o risco de entrarem nos Estados Unidos. A missão de G-5 é fotografá-los. E é isso que o vemos fazer na famosa Praça Lisboa, aqui retratada com grande detalhe nas vinhetas 5 e 6 da página abaixo.

Depois de enfrentar, derrotar e fotografar os dois agentes inimigos, G-5 dirige-se para o também famoso Casino Lisboa, na segunda prancha (ver vinheta abaixo), onde enfrenta mais quatro agentes, todos de bigode e monóculo.

Na terceira prancha ainda enfrenta mais um agente e, por fim, os 5 perseguem-no até aos jardins do casino, onde o espera o oficial da embaixada a quem passa o rolo fotográfico.

Na quarta e última prancha, enquanto está no jardim, mais dois agentes caem de uma árvore como pêras maduras. Nova sessão de pancadaria e G-5 acaba por carregá-los pelas ruas de Lisboa (detalhadamente retratadas na vinheta mostrada abaixo) até os entregar à polícia.

Por fim, satisfeito consigo próprio, dirige-se ao aeroporto de Lisboa, no qual o desenhador teve o cuidado extremo de desenhar duas das sete colinas da nossa magnífica capital.

INUMANOS

Inhumans (Volume 2) #1-#12
Título: “Inhumans”
Argumentista: Paul Jenkins
Desenhador: Jae Lee
Arte-Finalista: Jae Lee
Colorista: Dave Kemp e Avalon Studios
Capa: Jae Lee
Editora: Marvel
Publicado entre novembro de 1998 e outubro de 1999

Mini-série em doze números, escrita por Paul Jenkins e desenhada por Jae Lee, ganhou um Eisner de Melhor Série Original.

A acção passa-se em Attilan, a cidade-estado da raça inumana, aqui situada numa ilha situada a sul do arquipélago dos Açores e que há muito estava afundada a duas milhas de profundidade. Uma ilha onde ainda se podem ver as ruínas da Atlântida.

Não só se passa em território nacional como, aparentemente, o principal vilão é um exército mercenário de renegados portugueses. O seu objectivo, a soldo de conglomerados internacionais, é conquistar Attilan a todo o custo.

Os portugueses atacam as defesas de Attilan. Pela primeira vez na história da humanidade, um diplomata inumano é enviado a uma sessão das Nações Unidas. O estado português distancia-se de qualquer ataque perpetrado por forças nacionais renegadas.

O exército de 12.000 homens é liderado pelo coronel Edson Jarzinho (nome nitidamente brasileiro), mas, na verdade, é comandado pela mão de ferro do comandante russo, Igor Stalyenko.

Entretanto, Maximus, o irmão louco do rei de Attilan, o silencioso Black Bolt, conspira do seu cárcere, conseguindo unir-se às forças portuguesas e aos Alfa Primitivos, a raça escrava criada em laboratório e que serve os Inumanos.

Depois de muitas peripécias e reviravoltas no enredo, Black Bolt e os seus Inumanos, que parecem estar perdidos perante o ataque brutal dos portugueses, fazem explodir toda a ilha que volta a afundar-se duas milhas.

As Nações Unidas, chocadas, acham que a destruição se deveu ao ataque dos portugueses. Mas, na verdade, nada foi destruído. Attilan foi teleportada para os confins do Tibete. Assim, a humanidade não mais perturbará os Inumanos.

LADY S.

Lady S., Volume 6
Título: “Salade Portugaise”
Argumentista: Jean Van Hamme
Desenhador: Philippe Aymond
Colorista: Sébastian Gérard
Capa: Philippe Aymond
Editora: Dupuis
Publicado em Novembro de 2009

Lady S. é o nome de código de Shania, uma jovem da Estónia que, tendo sido expulsa dos EUA no volume anterior, trabalha agora em tradução simultânea no Parlamento Europeu, mantendo-se apoiada pela Orion e pelos seus operativos clandestinos. Divide o seu apartamento de Estrasburgo com a insaciável Kadija.

Sob as ordens da CIA, parte para Portugal em missão, seguindo uma pista de alguém que diz ser o seu pai, desaparecido há vários anos. Não sabe é que dentro da sua mala leva um CD com informação secreta que interessa a várias parte, nomeadamente à Al-Qaeda, que prepara um atentado terrorista maior que o de 11 de Setembro.

Mas vamos ao que interessa. Van Hamme e Aymond fizeram um excelente trabalho de pesquisa. Aliás, determinados detalhes do seu trabalho demonstram mesmo que andaram por estas bandas.

A companhia aérea na qual Shania viaja para Lisboa é a nossa TAP e a aproximação à capital está muito bem conseguida. Se olharem com atenção, conseguem ver o Terreiro do Paço, a estação do Cais do Sodré, o Rossio e a Praça da Figueira, o Castelo de S. Jorge e muitos outros pormenores.

A vista que se tem da encosta do Castelo de S. Jorge a partir do quarto de Shania está detalhadamente desenhada, como o está o Marquês de Pombal.

Até a embaixada americana em Lisboa, na Av. das Forças Armadas tem a sua fachada e envolvência reproduzida cuidadosamente (é aqui que Shania reencontra o pai).

O interior do aeroporto de Lisboa e a zona das “Docas” (onde se irá passar uma cena de acção importante) são outros dois bons exemplos do detalhe que os autores imprimiram na aventura. Aliás, a evolução da cena das “Docas” e os vários ângulos utilizados faz-me pensar que eles estiveram por lá.

Outra cena de acção é o assalto por parte do Grupo de Operações Especiais à Pensão Flores. O edifício e o seu arco estão desenhados na perfeição, como se pode ver na foto. E a rua por onde avança o GOE, também, não esquecendo até os delírios dos “graffiters” incontinentes.

Toda a cena culmina com a perseguição do radical islâmico no característico Elevador da Bica.

Depois disto, ainda há tempo para uma cena de acção final. Uma perseguição automóvel pelas sinuosas curvas da estrada que liga Colares ao Guincho, na Serra de Sintra. E se até o português do agricultor está escrito na perfeição, talvez a única mancha de toda esta história esteja no “Manuel” à la maneira de “nuestros hermanos”.

E até o fim, literalmente, tem um sabor português. Bom trabalho!

MARTIN MYSTÈRE

Colecção Bonelli, Volume 7
Título: “O Destino da Atlântida”
Argumentista Alfredo Castelli
Desenhador: Roberto Cardinale e Alfredo Orlandi
Capa: Bernard Chang
Editora: Levoir
Publicado em Maio de 2018

Martin Mystère é um herói da Bonelli, a prestigiada editora italiana de, entre outros, Tex, Dylan Dog e Dampyr.

Mystère é um aventureiro, arqueólogo, “detective do impossível”, um iniciado nas artes ocultas e muitas outras coisas.

Na sua primeira aventura (que não é abordada aqui), Mystère descobre vestígios da Atlântida no mar dos Açores. Atlântida que será tema recorrente de várias das suas aventuras, nomeadamente a que agora apresentamos.

Nesta história, em que uma série de flashbacks remetem para uma aventura anterior passada em território nacional, acha-se a justificação para o cataclismo que terá destruído a Atlântida. O que sobrou constitui agora o arquipélago dos Açores, nomeadamente a Ilha do Pico, onde se passa parte da acção.

A acompanhá-lo, como quase sempre, Mystère tem a noiva/namorada Diana e o seu valete Neandertal, Java.

MARVEL ADVENTURES SUPER HEROES

Marvel Adventures Super Heroes (Volume 2) #7
Título: s. t.
Argumentista: Paul Tobin
Desenhador: Scott Koblish
Arte-Finalista: Scott Koblish
Colorista: Sotocolor
Capa: Clayton Henry
Editora: Marvel
Publicado em Dezembro de 2010

Praia do Carvalho, na freguesia do Carvoeiro, Concelho de Lagoa, Algarve.

Este título mistura, habitualmente, vários heróis em aventuras isoladas.

Aqui temos o Homem de Ferro e a Viúva Negra como heróis e a Aranha Branca (White Spider) como a vilã.

Não se julgue que a capa apresentada é um erro de escolha deste vosso articulista. Na verdade, Susan Storm (a Mulher Invisível) tem o protagonismo da capa, mas na história limita-se a tentar pegar no martelo do Thor durante duas ou três vinhetas.

O enredo conta-se de uma penada. O Homem de Ferro e a Viúva Negra andam pelos mares do Algarve à procura de um OVNI que se terá despenhado. De repente, aparece a Aranha Branca com o seu gigantesco submarino e consegue fazer seu refém o Homem de Ferro. Mais tarde, captura também a Viúva Negra. Mas esta, habilidosamente, contacta Namor, o rei dos mares, e pede-lhe ajuda.

A cena passada em Portugal resume-se a uma prancha na qual o Homem de Ferro, como percebemos na prancha seguinte, se exibe para o público feminino que está a trabalhar para o bronze nos seus melhores fatos de banho (o puritanismo norte-americano não permite biquínis?), em plena Praia do Carvalho.

O interessante desta cena é, não só ter sido escolhida a Praia do Carvalho, que fica no Carvoeiro, no Algarve, como verificar-se o cuidado com que se reproduziu a praia. Atentem nos desenhos e fotos que se seguem.

MARVEL MYSTERY COMICS

Marvel Mystery Comics (Volume 1) #19
Título: “The Rescue of Dr. Bauer”
Argumentista: Joe Simon e Jack Kirby
Desenhador: Jack Kirby
Arte-finalista: Joe Simon
Capa: Alex Schomburg
Editora: Quality Comics
Publicado em Maio de 1941

O herói desta história é o Visão. Não aquele que conhecemos do grupo dos Vingadores, mas o original que surgiu na Segunda Guerra Mundial pelas mentes criadoras de Joe Simon e Jack Kirby. E foi no Marvel Mystery Comics, desde o número 13, que teve a sua carreira até 1943.

Os seus poderes incluíam voar, criar imagens de si próprio, gerar gelo e calor intenso e teleportar-se onde quer que haja fumo.

Para aqui, a história que nos interessa apareceu no Marvel Mystery Comics #19.

Aarkus, o Visão, um polícia alienígena de outra dimensão, convidado a actuar na terra pelo cientista Erickson, é atraído para um campo de concentração alemão na França ocupada. Nesse preciso momento, o notável professor Bauer, que escreveu livros a denunciar a causa nazi, está prestes a ser executado. O Visão intervém, cria um motim e acaba por roubar um stuka e levar o Professor até aos céus de Lisboa onde este deve saltar de para-quedas e contactar o cônsul americano em Portugal.

Já sozinho no avião, o Visão é bombardeado pelas antiaéreas lisboetas que julgam que o avião alemão vai atacar o porto de Lisboa. Como se pode ver, o Visão consegue escapar mercê dos seus poderes.

Este Visão faz-me lembrar, em termos visuais, o Visão dos Vingadores. Curioso é ter sido recuperado pela Marvel cinquenta anos depois da sua última aparição como fazendo parte dos Invasores, o grupo de super-heróis que lutavam contra os nazis e onde se incluíam o Capitão América, Namor, Tocha Humana (original) e outros.

MERCÚRIO (QUICKSILVER)

Avengers (Volume 1) #688
Título: “No Surrender” Part 14
Argumentista: Mark Waid, Al Ewing e Jim Zub
Desenhador: Kim Jacinto e Stefano Caselli
Arte-Finalista: Kim Jacinto e Stefano Caselli
Colorista: David Curriel
Capa: Mark Brooks
Editora: Marvel
Publicado em Junho de 2018

Esta é a 14.ª parte do épico “No Surrender” dos Vingadores, onde estes enfrentam uma ameaça global.

O papel de Portugal é limitado a uma vinheta e tem como protagonista Mercúrio que, perseguindo um poderoso raio azul (que paralisou a maior parte dos heróis durante toda a saga), vai salvando as pessoas em aflição pelo caminho. Um dos países por onde passa é o nosso, como se pode ver na prancha abaixo, na terceira vinheta.

No final, de modo a que os outros heróis tenham uma hipótese de combater o mal, Mercúrio faz o derradeiro sacrifício…

MILITARY COMICS

Military Comics (Volume 1) #3
Título: Shot and Shell – “The City of Stranded Men”
Argumentista: Klaus Nordling
Desenhador: Klaus Nordling
Arte-finalista: Klaus Nordling
Capa: Chuck Cuidera e John Stewart
Editora: Quality Comics
Publicado em Outubro de 1941

Esta é uma das várias aventuras da dupla Shot e Shell – o coronel Sam Shot e o seu camarada Slim Shell.

Aqui, vamos encontrá-los “encalhados” em Lisboa enquanto esperam por um lugar num avião para os EUA.

Enquanto estão numa esplanada lisboeta, dão de caras com um grupo de nazis que se prepara para viajar com destino a Berlim. Depis de os enfrentarem, Shot e Shell roubam-lhes o avião e partem para os Estados Unidos.

MONSIEUR JEAN

Monsieur Jean, Volume 2
Título: “Les nuits les plus blanches”
Argumentista: Charles Berberian e Philippe Dupuy
Desenhador: Charles Berberian e Philippe Dupuy
Colorista: Claude Legris
Capa: Charles Berberian e Philippe Dupuy
Editora: Les Humanoïdes Associés
Publicado em Agosto de 1992

Monsieur Jean é um trintão celibatário que vive em paris e que procura há uma eternidade uma ideia para escrever um romance. A série apresenta-nos o seu quotidiano.

Neste segundo volume da série, entre insónias e crises existenciais de meia-idade antes do tempo, uma viagem a Lisboa para uma sessão de autógrafos numa livraria vai ajudá-lo a afastar as ideias negras que gosta de cultivar.

Desenhado de uma forma aparentemente simples e reconfortante, pelo menos para mim, logo na primeira prancha da viagem podemos ver o famoso radar do aeroporto da 2.ª Circular, um eléctrico numa rua típica com um edifício à esquerda que me parece um “prémio Valmor”, uma escada de hotel esconsa apainelada com os tradicionais azulejos, uma loja requintada que deve situar-se na Baixa ou no Chiado, uma característica rua de um bairro mais tradicional com a indispensável roupa pendurada no estendal e uma vista sobre o Tejo.

Na segunda prancha, temos uma cena de esplanada também com vista para o Tejo e com um daqueles quiosques emblemáticos que acompanham várias gerações de portugueses. Na oitava vinheta ainda se vislumbra um busto de Fernando Pessoa.

Na terceira prancha, da qual se reproduz aqui parte, encontramos a estátua de Fernando Pessoa na esplanada de “A Brasileira” do Chiado.

Com um traço perfeitamente inserido na escola “linha clara”, pelos inúmeros detalhes sentimos que a alma da cidade foi perfeitamente capturada pela dupla de autores.

PRÍNCIPE VALENTE

Prince Valiant, prancha 751
Título: “Prince Valiant in the Days of king Arthur”
Argumentista: Hal Foster
Desenhador: Hal Foster
Colorista: Hal Foster
Editora: King Features Syndicate
Prancha publicada a 1 de Julho de 1951

Quando publicado em volume correspondente a um ano de publicação, este é o 15.º e actualmente, em Portugal, é distribuído pela Planeta DeAgostini numa edição brasileira.

Na prancha em questão, o Príncipe Valente navega pelo Mediterrâneo de regresso à Bretanha. Passa pela Tunísia, onde visita as ruínas de Cartago, pelos pilares de Hércules no estreito de Gibraltar e, depois de entrar no Atlântico, vem aportar na costa portuguesa.

Valente tenta fazer com que o seu jovem escudeiro, Arf, desembarque e mude de ares – o rapaz perdeu um pé e não está a lidar bem com o assunto. Mas Arf prefere ficar na embarcação e, assim, o Príncipe Valente não chega a pisar território nacional. Mas esteve quase…!

Como estamos no século V da nossa era, não se sabe se aportaram em Olissipo (Lisboa) ou em Portus Cale (Porto), cidades dos suevos. Mas, em definitivo, não aportaram em Portugal (como tal), mas na Lusitânia. Portugal é uma designação bem mais tardia, pós-condado Portucalense.

Mas Hal Foster era conhecido pelos seus anacronismos. Os navios longos viquingues ou drakkars aparecem mais tarde. Os muçulmanos surgiriam no século VII. Os castelos, fortificações, vestuário, armaduras e armamentos parecem os da Baixa Idade Média (séculos XI a XIV), etc, etc, etc. Por isso, não é de estranhar que o Príncipe Valente tenha vindo aportar num país que ainda não existia. Mas ainda bem, já que assim temos mais um herói estrangeiro em terras lusas.

Para além disso, as aventuras do Príncipe Valente são, ainda hoje, um verdadeiro regalo para a mente e para a vista.

SUPERMAN’S PAL JIMMY OLSEN

Superma’s Pal Jimmy Olsen (Volume 1) #75
Título: “The Voyage of Mary Celeste II!”
Argumentista: Jerry Siegel
Desenhador: Curt Swan
Arte-finalista: George Klein
Capa: Curt Swan
Editora: DC
Publicado em Março de 1964

Jimmy Olsen é repórter fotográfico do Daily Planet, o jornal onde também trabalham Lois Lane e Clark Kent (o Super-Homem). Na década de 1950, como amigo do Super-Homem, Jimmy ganhou uma série de comics própria.

Para aqui, o comic book que nos interessa é o número 75. Mais precisamente, a segunda história, de nove páginas, desenhada pelo lendário Curt Swan.

Depois de fazer uma reportagem acerca do Mary Celeste e do misterioso desaparecimento do seu capitão, da mulher e filho e de toda a tripulação em 1872 nos mares dos Açores, Jimmy Olsen é convidado a repetir a viagem no Mary Celeste II.

Ele bem tenta recrutar marinheiros para formar uma tripulação, mas a tarefa torna-se difícil. É que parece que aquela parte dos Açores está amaldiçoada há séculos. Por fim, lá consegue contratar a tripulação e tudo parece estar a correr bem até chegarem àquela misteriosa área dos Açores.

É então que Jimmy descobre que a tripulação é composta por fugitivos perigosos procurados pelo FBI. Depois de algumas peripécias, todos são atacados por um polvo gigante ou um kraken sem olhos.

Por fim, pasme-se, chega o Super-Homem aos Açores e salva um Jimmy Olsen que está prestes a ser tragado pela monstruosidade verde.

E pronto! O mistério de há um século foi desvendado e o Super-Homem, pode dizer-se, já esteve em Portugal!

TIO PATINHAS, DONALD E OS RESTANTES SOBRINHOS

Edição Especial – As Viagens do Tio Patinhas
Título: “De Eléctrico em Lisboa”
Argumentista: Miquel Pujol
Desenhador: Miquel Pujol
Colorista: Egmont e Kneon Transitt
Capa: ?
Editora: Abril/Controljornal
Publicado em Junho de 2001

Esta aventura do Tio Patinhas foi publicada originalmente na revista dinamarquesa Anders And & Co. a 12 de julho de 1993. E se aqui é referida é porque dela fomos informados pelo Paulo Dias. Foi ele também que nos enviou a seguinte composição fotográfica com a capa da revista.

Donald e os seus sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luisinho são chamados à mansão do Tio Patinhas. Jarbas (Pennyworth), o mordomo, está preocupado pois recebeu a notícia que o Tio Patinhas desapareceu em Lisboa onde, aparentemente, teria vindo em negócios relacionados com a companhia dos Eléctricos.

Os quatro apanham o avião para Lisboa para encontrar o Tio desaparecido. Na aproximação à cidade, os sobrinhos de Donald chamam-lhe a atenção para a “Ponte Salazar” um dos marcos de Lisboa e a maior ponte suspensa da Europa (na altura).

É no hotel onde estão hospedados que começa a perseguição ao malfeitor que terá raptado o Tio Patinhas. E a perseguição é feita de eléctrico. Passam pelo Rossio, onde se pode ver o Teatro Nacional D. Maria II e a estátua de D. Pedro IV.

A perseguição de eléctrico termina junto ao Monumento das Descobertas e começa a perseguição de barco pelo Tejo.

Depois de várias peripécias e de o Tio Patinhas aparecer, Huguinho, Zezinho e Luisinho acabam a aventura a comer cones de gelado no relvado em frente da Torre de Belém que, não sei porque razão, é chamada de “Torré” de Belém na versão americana.

Nitidamente, esta aventura do Tio Patinhas desenrola-se algures nos anos de 1960. A Ponte sobre o Tejo só foi inaugurada em 1966 e chamava-se então Ponte Salazar. E o Rossio tem a configuração da mesma época, com os eléctricos a funcionarem e a ausência da imensa calçada portuguesa na zona central da praça.

EXTRAS

Mas, para além desta aventura e da mencionada no primeiro artigo de Heróis Estrangeiros de Visita a Portugal, os heróis da Disney têm mais duas histórias nas quais Portugal faz parte da história, embora nenhum deles coloque os pés no nosso País.

A primeira tem por título “Os Mapas Perdidos de Colombo” e foi escrita e desenhada pelo conceituado Don Rosa, numa sequela de “O Capacete de Ouro” (uma história clássica do famoso Carl Barks).

Também publicada originalmente na revista dinamarquesa Anders And & Co., em 1995 e nos EUA em abril de 1997, relata uma corrida contra o tempo para reclamar a posse de todo o continente americano. Em Portugal, foi publicada na revista Pato Donald (2.ª série) #85, em 2002.

Os protagonistas são o Pato Donald e os seus sobrinhos, estes imbuídos do espírito de Escuteiros Mirins. O antagonista é Azure Blue, que retoma o papel que tivera na história de Carl Barks.

Uma história desenhada com bastante mais detalhe do que é habitual vermos nas histórias da Disney, tanto a nível de enredo como de desenho, baseia-se em alguns factos históricos, nomeadamente no desaparecido mapa de Piri Rei que terá sido o que Colombo utilizou para “descobrir” as Américas.

Quanto a Portugal, o nosso país é mencionado pelos sobrinhos de Donald quando estudam uma série de mapas e encontram um da Flórida feito pelo explorador português João Vaz Corte-Real em 1472.

A segunda história tem por título “A Coroa dos Reis Cruzados” e foi igualmente escrita e desenhada por Don Rosa.

De novo publicada originalmente na revista dinamarquesa Anders And & Co., em 2001 e nos EUA em março de 2005. Em Portugal foi publicada na revista Tio Patinhas #7 pela editora Goody, em 2018. O Tio Patinhas anda à procura da Coroa dos Reis Cruzados, mas o Concelho Monetário de Paris também, reclamando o direito ao artefacto de valor incalculável, já que são uma espécie de sucessores dos cavaleiros Templários que tinham emprestado a coroa aos reinos de Portugal e de Espanha, retomando a sua posse em 13 de Outubro de 1582 (data de interesse para o desfecho da história).

Portugal é mencionado brevemente num flashback em que o interlocutor do então jovem Tio Patinhas lhe conta ter encontrado um mapa de Colombo numa livraria em Lisboa.

Mas verdadeiramente interessante são as duas pranchas que se apresentam em seguida e que não só falam de Portugal como mostram bem a arte de Don Rosa.

Na primeira prancha, o Tio Patinhas lê aos sobrinhos o diário de bordo de Colombo no qual este relata que em 1493, na viagem de regresso a Espanha, uma tempestade forçou-o a aportar em Lisboa. Ora, tendo o seu navio sido apreendido pelo seu rival, o explorador português Bartolomeu Dias, Colombo enviou secretamente o diário para Espanha que se perdeu pelo caminho. Para extrema felicidade do Tio Patinhas, Colombo fala numa coroa dos Templários.

E, por fim, a última prancha que nos interessa para aqui é um novo flashback que narra a história de como surgiram as Cruzadas, de como um nobre europeu foi feito rei de Jerusalém, de como os Templários eram os seus protectores e de como as melhores jóias reais europeias lhe foram enviadas para criar a sua coroa cerimonial.

Depois explica-se resumidamente o chamado “processo dos Templários”, movido por Filipe IV de França, e a maneira como os cavaleiros conseguiram que o seu tesouro escapasse às mãos do Rei, enviando-o para castelos em Portugal, em Espanha e na Escócia.

Explica-se ainda que o Rei D. João II de Portugal e o Rei Fernando de Espanha, tendo relações com os Templários, lhes pediram um magnífico tesouro para enviarem como tributo ao grande Khan. Em 1482, assinaram um contrato com o banco templário no qual, em troca da Coroa dos Reis Cruzados, os templários receberiam uma larga parte do rendimento ganho através de todos os tratados comerciais com o reino do Catai (China).

Acaba assim mais uma catrefa de aventuras de Heróis Estrangeiros de Visita a Portugal.

Como acima já se disse, não é uma apresentação que se quer exaustiva ou definitiva, destas aventuras que apresentam o nosso país de maneira mais ou menos detalhada.

Por isso, lanço de novo o repto, caros leitores. Se conhecem aventuras não mencionadas aqui ou no artigo anterior, deixem os vossos comentários ou informações aqui. Quem sabe se haverá matéria para escrever mais umas linhas.

SOBRE O AUTOR |

Francisco Pedro Lyon de Castro
Francisco Pedro Lyon de CastroColaborador
Amante da literatura em geral, apaixonado pela BD desde a infância, a sua vida adulta passa-a toda rodeado de livros como editor. Outra das suas grandes paixões é o cinema e a sua DVDteca.